Escolher um vinho apenas olhando para as garrafas alinhadas na prateleira do supermercado é uma dificuldade comum para quem tem conhecimento limitado sobre essa bebida milenar. Na maioria das vezes, o único critério utilizado é o preço. Não dá para culpar o consumidor: é fácil se perder entre uvas, regiões de produção, vinícolas e safras. Além disso, o vinho ganhou ao longo dos anos uma aura mítica, como se abrir uma garrafa significasse entrar para um clube restrito. Porém, escolher um bom vinho pode ser mais simples do que parece, especialmente quando se tem orientação. A seguir, você confere dicas de rótulos, regiões e produtores com base em critérios como preço e gosto pessoal.
Vinhos até R$ 50
Mesmo com um orçamento limitado, é possível comprar bons rótulos. Dificilmente você encontrará um vinho complexo, mas certamente achará bebidas bem-feitas e agradáveis. São vinhos honestos, perfeitos para o dia a dia e para compartilhar com amigos. Nessa faixa de preço, as melhores opções são vinhos de Argentina, Uruguai, Chile e Portugal. Primeiro, porque esses países exportam para o Brasil com benefícios fiscais; segundo, porque a produção nesses locais é mais barata do que na França e na Itália, por exemplo. O resultado são rótulos mais em conta.
Argentina é a pátria do vinho tinto Malbec, mas também produz ótimos brancos de Chardonnay. Procure os rótulos da Norton, uma das maiores vinícolas do país, com mais de 130 anos de atividade e qualidade reconhecida internacionalmente. Desta bodega, vale a pena provar a linha Sexy Fish, composta por vinhos frutados e redondos, disponíveis em quatro versões: Malbec, Cabernet Franc, Blanc de Blancs e Rosé. Dentre os brancos argentinos, escolha os da linha Porteño, da mesma vinícola. São vinhos que vão muito bem sozinhos em dias de calor ou para acompanhar refeições leves. A linha conta com Chardonnay e Torrontés, ambos aromáticos e fáceis de beber.
Do outro lado da Cordilheira dos Andes, o Chile é referência em vinhos tintos de Cabernet Sauvignon e brancos de Sauvignon Blanc. Procure uma vinícola tradicional como a Santa Carolina, com mais de 150 anos de história. O Santa Carolina Reservado Cabernet Sauvignon é um tinto com aromas de frutas vermelhas maduras, como morango, e toques sutis de baunilha. Harmoniza com carnes e lasanha. Já a uva Sauvignon Blanc se adaptou muito bem ao clima andino, produzindo brancos refrescantes e perfumados, como o Estelar Sauvignon Blanc, com aromas de frutas cítricas, abacaxi e pêssego. Ideal para petiscos, frituras e comida japonesa.
Uruguai é o país da Tannat, uva tinta com bastante taninos, ideal para quem gosta de rótulos intensos que acompanhem um bom churrasco. A vinícola Montes Toscanini é a mais premiada do país, e seu Tannat Reserva Familiar é um vinho de excelente custo-benefício, com sabores de frutas escuras, notas de chocolate e tostado, final longo e equilibrado.
Por fim, outra excelente opção são os vinhos portugueses, que chegam ao mercado brasileiro com ótimo custo-benefício. Em particular, fique de olho nos vinhos do Alentejo, no extremo sul do país, e nos da região de Vinhos Verdes, no extremo norte. Os tintos alentejanos são intensos, saborosos e frutados, perfeitos com carnes assadas e grelhadas, além de massas e pizzas. Uma dica de rótulo é o Pouca Roupa Tinto, da famosa vinícola João Portugal Ramos. Já os Vinhos Verdes são levemente frisantes, refrescantes e com baixo teor alcoólico, pensados para serem tomados sozinhos em dias de calor ou com comidas leves. Você vai se surpreender com o Pardalito DOC Vinho Verde.
Vinhos até R$ 100
Gastando entre R$ 50 e R$ 100, você começa a encontrar rótulos de nível superior de Argentina, Chile, Uruguai e Portugal. Nessa faixa, as bebidas costumam ter mais complexidade devido a uvas selecionadas, amadurecimento em barrica e outras técnicas enológicas.
Da Argentina, vale mencionar a linha Norton Reserva, cujos vinhos amadurecem 12 meses em carvalho e são produzidos com uvas de dois famosos terroirs de Mendoza: Vale de Uco e Luján de Cuyo. Esse blend traz o melhor dos dois territórios: concentração e fruta de Luján de Cuyo, e elegância e frescor de Vale de Uco, onde os vinhedos têm maior altitude.
Entre os vinhos chilenos, experimente os da vinícola Caliterra, cuja filosofia é baseada em sustentabilidade e respeito à natureza. Com amadurecimento parcial em barricas de carvalho, o Caliterra Reserva Carménère entrega qualidade e sabor, valorizando uma uva icônica do país.
Nessa faixa de preço, existem excelentes rótulos portugueses de regiões menos conhecidas, mas que valem muito a pena, como a Bairrada. Ali são produzidos alguns dos melhores espumantes de Portugal, como o Messias Bairrada Brut, elaborado pelo método tradicional, o mesmo do Champagne. O Alentejo é um porto seguro para tintos de excelente custo-benefício. O Marquês de Borba Colheita é macio e suculento, com belos aromas de frutas vermelhas maduras, ideal com massas, pizzas, queijos e carnes.
Na categoria até R$ 100, é possível também desbravar vinhos da Itália e Espanha. Você encontrará rótulos interessantes como o espanhol Petit Vega 8 Meses, da famosa região de Ribera del Duero, um tinto intenso e encorpado que vai bem com carnes. Se estiver procurando um espumante, o Cava Don Román é uma marca consolidada, garantia de sabor e qualidade. Na Itália, é melhor apostar nas regiões ao sul, como Puglia e Sicília, onde o clima é mais quente e os vinhos são bem aromáticos e saborosos. Por não terem o mesmo hype dos vinhos do Norte da Itália, costumam ser mais em conta. Na Puglia nascem o Luccarelli Rosso IGP, um tinto macio e redondo com aromas de frutas vermelhas maduras, e o Corbelli Primitivo, um tinto encorpado e saboroso produzido com a uva icônica da região. A Sicília é a região da uva tinta Nero d’Avola e da branca Grillo. Experimente o Stemmari Nero d’Avola Sicilia DOC, bem frutado, com taninos macios e 6 meses de amadurecimento em barrica, e o espumante Belvino Grillo Brut, refrescante e com aromas de frutas cítricas e notas florais.
Vinhos até R$ 200
A partir de R$ 100 e até R$ 200, os vinhos começam a ficar realmente especiais. Nessa faixa, você consegue comprar excelentes argentinos, chilenos, uruguaios, portugueses, brasileiros e até italianos e franceses de alta gama.
O Brasil está despontando no cenário mundial com vinhos de cada vez mais qualidade, especialmente na Serra Gaúcha, região vitivinícola tradicional. Dentre as mais de mil vinícolas, uma menção especial merece a Bodega Iribarrem, uma empresa jovem que faz um trabalho primoroso. Sua linha Basco Loco, que homenageia a família do fundador Ramiro Iribarrem, de origem do norte da Espanha, conta com brancos de uvas internacionais, como Alvarinho e Chardonnay, e tintos como Pinot Noir, Cabernet Franc e Merlot. São vinhos deliciosos, joviais e muito gastronômicos.
Entre os argentinos, destaque para os da vinícola familiar Alfredo Roca, localizada no prestigiado terroir de San Rafael. Para ir além do clássico Malbec, experimente o Alfredo Roca Reserva de Família Pinot Noir, um tinto elegante com 9 meses de amadurecimento em barrica, que acompanha lindamente carnes e risotos.
Entre os vinhos chilenos, a linha Pedregoso Gran Reserva, da premiada vinícola Tabali, entrega muito nessa faixa de preço. São rótulos de elevada qualidade produzidos no Vale de Maipo, que amadurecem por 9 meses em barrica de carvalho. Elegantes, sofisticados e muito gastronômicos.
Em Portugal, conheça os rótulos da região do Dão, onde o solo mineral produz grandes vinhos tintos e brancos como os da Quinta do Penedo: experimente o Quinta do Penedo Colheita DOC Tinto, com 12 meses de envelhecimento em barrica, e o Quinta do Penedo Encruzado DOC Branco, um excelente exemplar feito com a uva Encruzado, icônica desse terroir.
Na Itália, você consegue comprar muita coisa bacana, desde Chianti Classico DOCG da vinícola Terra Natuzzi até vinhos do Piemonte, como o Nebbiolo d’Alba DOC Truffle Hunter Leda, um tinto elegante e complexo que amadureceu 24 meses em barrica.
A França é um mundo a ser descoberto. Nessa faixa de preço, você tem acesso a maravilhosos vinhos de Bordeaux, como Le Rosé de Floridene e o Château Troupian Haut-Médoc, um rótulo de altíssima gama, muito gastronômico, que estagiou 12 meses em barrica.
Não quero arriscar
“Geralmente compro Malbec da Argentina e Cabernet Sauvignon do Chile, mas quero tomar algo novo e não sei por onde começar”. Se essa é sua realidade, você precisa desbravar o mundo dos vinhos a partir de regiões vinícolas que produzem vinhos parecidos com os rótulos do Novo Mundo. As melhores opções são sul da Itália, Espanha e sul de Portugal. Nessas regiões, o clima é muito quente, o que favorece o amadurecimento das uvas, dando vida a rótulos frutados e saborosos.
Na Itália, um vinho com esse perfil e de ótimo custo-benefício é o Montepulciano d’Abruzzo, um tinto com alta concentração de fruta, taninos marcantes, mas redondos, e grande frescor. Experimente o Caldora Montepulciano d’Abruzzo DOC, estruturado e bem equilibrado.
Na Espanha, prove os maravilhosos vinhos da Rioja, uma das regiões mais famosas, onde nascem tintos intensos, saborosos e encorpados, como o Marqués de Tomares Crianza, que amadureceu 12 meses em barrica de carvalho e 12 meses na garrafa.
Do sul de Portugal, experimente a linha Monsaraz da vinícola Carmim, uma das maiores do país. Monsaraz é um vilarejo alentejano famoso pela qualidade de seus vinhos. O Monsaraz Reserva Tinto DOC Alentejo é um grande vinho por uma ótima relação custo-benefício. A versão branca é untuosa e encorpada, ideal com peixes assados.
Gosto de experimentar
Os vinhos do norte da Itália tendem a ser mais austeros e difíceis de entender para iniciantes, mas são elegantes e sofisticados. O Barbaresco é um ícone da região Piemonte e um dos tintos mais apreciados do mundo: o da vinícola Truffle Hunter Leda entrega muito pelo preço e não pode faltar na sua adega.
Se você busca algo mais exótico, os vinhos sul-africanos podem ser uma prazerosa surpresa. A uva tinta símbolo do país é a Pinotage, que elabora vinhos redondos e macios, com taninos delicados e sabor intenso, como o da vinícola Nederburg, uma das maiores da África do Sul.
A Nova Zelândia também é conhecida pela alta qualidade de seus vinhos, em particular os Pinot Noir e Sauvignon Blanc do terroir de Marlborough, onde os vinhedos sofrem influência do mar. O Castlebrae Pinot Noir é um tinto delicioso e muito gastronômico, com belas notas tostadas do estágio em barrica.



