Cacau bate recorde, mas produtores da Bahia enfrentam frustração com queda de preços
Cacau bate recorde, mas produtores da Bahia enfrentam frustração com queda de preços

O preço do cacau atingiu um recorde global no final de 2024, impulsionado pela escassez do produto devido a uma safra ruim na África, maior região produtora. No sul da Bahia, região historicamente produtora de cacau no Brasil, os valores geraram uma euforia inédita entre os agricultores. No entanto, desde então, o preço recuou na bolsa de Nova York, que serve de referência para o mercado brasileiro, causando frustração.

A queda nos valores pagos pelas multinacionais que controlam o mercado no Brasil, aliada às incertezas geradas pelas tarifas de Donald Trump sobre produtos brasileiros, fez com que os produtores percebessem que o chocolate mais caro não significa necessariamente mais dinheiro no bolso. Um pequeno agricultor de cacau do sul da Bahia reclamou: 'Os grandões brigam lá fora e vem bater na gente aqui'.

Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), que representa cerca de 5 mil produtores, o valor pago no Brasil chegou a ser R$ 85 a menos por arroba em agosto, em comparação com a cotação internacional. A presidente da ANPC, Vanuza Barroso, criticou: 'As indústrias fazem o que querem na precificação interna'.

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A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) afirma que os valores refletem as relações de mercado e que há um cenário de demanda e oferta mais equilibrado. A presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, destacou que a indústria já experimenta um recuo na demanda por derivados de cacau, com menos compradores de chocolate e menos cacau na fórmula dos produtos.

A previsão do setor é que a indústria cacaueira brasileira perca R$ 180 milhões até o fim de 2025 com as tarifas de 50% aplicadas pelos EUA. O cacau não entrou na lista de exceções do governo Trump, apesar de declarações do secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.

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