Viúva de policial diz que bets destruíram a família após dívida de R$ 1 milhão
Viúva de policial: bets destruíram família com dívida de R$ 1 milhão

A viúva do policial militar Danilo Lopes Negrão, Raquel Maria de Oliveira Negrão, afirmou que não teve tempo para viver o luto pela morte do marido, ocorrida em setembro de 2023, pois precisou lidar com cobranças de uma dívida de quase R$ 1 milhão deixada por ele. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela relatou o drama familiar causado pela ludopatia – transtorno relacionado ao vício em jogos de azar.

Descoberta da dívida e cobranças após a morte

Segundo Raquel, ela só soube do tamanho das dívidas depois que o policial morreu. Danilo havia pegado dinheiro emprestado com bancos, amigos e agiotas, e mantinha uma planilha no computador com os valores. “Todos emprestavam, porque ele era muito honesto, então ninguém imaginava o que ele estava passando”, contou ao g1. A viúva enfrenta até hoje processos judiciais que impedem a venda da casa da família. “Eu moro até hoje na casa onde aconteceu o ato”, explicou, referindo-se à morte do marido.

Início do vício durante a Copa do Mundo de 2022

Raquel decidiu compartilhar a história no dia do jogo do Brasil, em 24 de julho de 2025, pois o marido começou a apostar durante a Copa do Mundo de 2022. Ele começou ganhando, mas depois perdeu muito dinheiro. Após perder uma grande quantia na derrota do Brasil para a Croácia, a família pediu que ele procurasse ajuda profissional. No entanto, ele faltava às consultas e nunca recebeu diagnóstico, pois não relatou o vício aos médicos. “Ele mentia que estava fazendo as terapias”, disse ela.

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Impacto financeiro e emocional na família

As contas da casa começaram a atrasar, e Raquel precisou arcar sozinha com as despesas. “Eu comecei a ficar doente emocionalmente por causa disso. Tive uma alergia no corpo. Ele pegando dinheiro emprestado e apostando. E as contas da casa ficaram todas para mim”, afirmou. Para ela, compartilhar a história é uma forma de alertar outras pessoas. “Não joguem. Não joguem pouco, não joguem muito, não joguem nada. Esse jogo não vai te levar para lugar nenhum”, disse.

Ferramentas de ajuda e autoexclusão

Desde 2025, a legislação determina que plataformas legalizadas, autorizadas pelo Ministério da Fazenda, ofereçam ferramenta de autoexclusão para o apostador bloquear o próprio acesso. Em dezembro de 2024, o Ministério da Fazenda lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite bloquear o CPF em todos os sites de apostas. O cidadão pode procurar ajuda no Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, elaborado pelo Ministério da Saúde.

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