O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou uma denúncia criminal contra um morador de Tatuí, no interior paulista, acusado de ofender e perseguir a vereadora Cíntia Yamamoto Soares (PP). As ofensas ocorreram durante sessões da Câmara Municipal e também em aplicativos de mensagens. Em um dos episódios, o homem foi expulso do plenário pela Guarda Municipal.
O g1 teve acesso a um dos áudios gravados e enviados pelo homem. Nele, o morador chama a vereadora de "japonesinha do Paraguai" e a acusa de cometer peculato, crime que envolve desvio ou apropriação de bens por funcionário público. A parlamentar afirma confiar na Justiça e defende punições pedagógicas para evitar reincidência. "É inadmissível este tipo de comportamento, principalmente por se tratar de violência política de gênero", declarou.
Histórico de ofensas
À Polícia Civil, Cíntia relatou que Wellington Pires de Miranda frequenta a Câmara e, em diversas ocasiões, a ofendeu e acusou de crimes, sem apresentar provas. A vereadora afirma que as falas comprometeram sua imagem pública. Conforme o MP, no dia 4 de maio, o homem foi citado e apresentou defesa prévia. A denúncia foi mantida e encaminhada para audiência de instrução e julgamento em 27 de julho.
No inquérito, o MP aponta que o homem caluniou a vereadora em razão de suas funções públicas e também a ofendeu por sua raça. Ele teria cometido os crimes de calúnia, injúria e injúria racial. A denúncia foi aceita pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 2 de março.
Repercussão e defesa
Após a denúncia, Wellington retornou poucas vezes à Câmara. A vereadora acredita que o processo o intimidou. Ela observa que o homem não demonstra descontentamento com outros parlamentares, atacando apenas a ela. "O foco, infelizmente, parece que sou eu", lamenta.
A defesa de Wellington nega a prática criminosa e afirma que já apresentou resposta à acusação. Em nota, sustenta que o caso exige exame técnico do material digital e que conclusões precipitadas são inadequadas.



