A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, já está no sistema prisional mineiro após ser presa como principal suspeita pelo latrocínio de um casal de idosos em Belo Horizonte. Ela foi levada para o Presídio José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. A prisão ocorreu em um hotel em Itabira (MG) na madrugada desta quinta-feira (2), e um vídeo divulgado pela Polícia Civil mostra a abordagem dos investigadores. No momento da detenção, Paola estava acompanhada do filho, de seis anos.
Confissão e alegação de surto psicótico
De acordo com o delegado Gustavo Barletta, a suspeita confessou o crime durante a conversa com os policiais. Ela afirmou que foi ao apartamento sem intenção de roubar, mas decidiu furtar objetos ao ver os bens do casal. Questionada sobre os assassinatos, alegou ter sofrido um "surto psicótico". No auto de prisão em flagrante, porém, preferiu permanecer em silêncio. O delegado também informou que Paola negou que o crime tenha sido motivado por dívidas de jogos de azar, dizendo que os débitos já estavam quitados e que pretendia vender os objetos para despesas pessoais.
Detalhes do crime
As vítimas foram Cláudio Atala Inácio, advogado de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, empresária de 76 anos. Eles foram encontrados mortos pelo filho na terça-feira (30) no apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, região Centro-Sul de BH. Segundo a perícia, o advogado levou 17 golpes de faca e a esposa, sete. O crime teria ocorrido na tarde de segunda-feira (29). Câmeras de segurança registraram a entrada da suspeita no prédio às 7h30 e a saída às 15h30, carregando duas sacolas, uma delas pertencente à idosa. Após deixar o local, ela descartou uma blusa suja de sangue e uma bolsa em uma caçamba, antes de entrar em um carro que a aguardava.
Investigação e prisão
A Polícia Civil localizou Paola em Itabira ainda na quarta-feira (1º) e a monitorou por inteligência antes da prisão. Ela não resistiu e disse que já esperava ser detida devido à repercussão do caso. Inicialmente, a PM foi à casa dela em Ribeirão das Neves, mas não a encontrou. Uma tia informou que Paola chegou em casa na segunda-feira à noite com uma mochila e, na terça, viajou com o filho para o Espírito Santo, depois ficando em um hotel. Os celulares das vítimas foram recuperados em Vespasiano, na Grande BH. A faca usada no crime não foi encontrada. A polícia investiga a participação de outras pessoas, incluindo o motorista do carro que esperou 15 minutos pela suspeita.
Defesa e próximos passos
O advogado de Paola afirmou, em nota, que apresentará os argumentos da defesa no momento oportuno, com base nas provas do processo, e que a responsabilização deve ser definida pela Justiça, "não por julgamentos antecipados ou pela repercussão do caso". A suspeita ainda passará por audiência de custódia para avaliação da legalidade da prisão e possível conversão em preventiva.



