Unha e Carne: PF mira ex-prefeito, ex-secretário e miliciano Jura
Unha e Carne: PF mira ex-prefeito, ex-secretário e Jura

A 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (7) pela Polícia Federal (PF), tem como alvos o ex-PM Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. A ação investiga a ligação de agentes públicos com organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro.

Esquema de lavagem de dinheiro em postos de gasolina

Segundo a PF, uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio teria movimentado R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro que contava com a anuência de agentes políticos. Já condenado a 26 anos de prisão por homicídio e associação criminosa, Jura é apontado como líder da milícia Bonde do Jura. Ex-sargento da PM, ele foi expulso da corporação em 2011.

Histórico de Jura na CPI das Milícias

O nome de Juracy já havia aparecido no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 2008. O documento o apontava como líder de uma organização paramilitar que atuava em bairros de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, explorando serviços clandestinos e impondo taxas a moradores e comerciantes. Segundo o relatório, a milícia comandada por Jura, também chamada de Somos Comunidade, mantinha controle sobre áreas de Comendador Soares, Jardim Nova Era, Jardim Pernambuco, Palhada e Rosa dos Ventos.

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As investigações apontavam exploração de serviços como segurança privada ilegal, venda de gás, sinal clandestino de TV e transporte alternativo. Em 2014, Juracy foi condenado por chefiar a organização criminosa e pelo assassinato de um jovem. Três anos depois, ao progredir para o regime semiaberto, recebeu autorização para trabalhar fora da prisão.

Trabalho na prefeitura e campanha eleitoral

Nesse período, foi nomeado para a Secretaria Municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo. Documentos obtidos pelo RJ2 mostraram folhas de ponto e registros funcionais indicando sua atuação no município, com salário de R$ 3 mil. A situação ganhou repercussão em 2020, quando o g1 e a TV Globo revelaram que o ex-PM condenado aparecia exercendo atividades políticas durante o período em que deveria cumprir sua jornada de trabalho autorizada pela Justiça. Após representação do Ministério Público, a Vara de Execuções Penais suspendeu cautelarmente as saídas de Juracy para trabalhar.

Juracy também se tornou conhecido nacionalmente após vir à tona sua participação na campanha eleitoral de Daniela Carneiro, hoje ex-ministra do Turismo e então candidata à Câmara dos Deputados em 2018, e do então candidato à Alerj Márcio Canella. Imagens mostravam o ex-PM distribuindo material de campanha. Na ocasião, a assessoria da parlamentar afirmou que receber apoio eleitoral não significava qualquer vínculo com eventuais atos ilícitos praticados por apoiadores.

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