Torniquete salva vidas em ataques de tubarão no Grande Recife
Torniquete salva vidas em ataques de tubarão no Recife

O coordenador do Samu Recife, médico Leonardo Gomes, destacou a importância do uso do torniquete nos recentes ataques de tubarão ocorridos no Grande Recife. Em menos de 48 horas, duas pessoas foram atacadas, e a técnica foi fundamental para salvar suas vidas.

Como funciona o torniquete

O torniquete consiste na aplicação de uma faixa ou dispositivo de pressão no membro atingido para interromper temporariamente a circulação sanguínea e conter hemorragias graves até a chegada dos socorristas. Nos dois incidentes, médicos que passavam próximos aos locais realizaram o procedimento antes da chegada do Samu e do Corpo de Bombeiros.

“Essas pessoas que fizeram esse atendimento foram fundamentais. Nos dois casos, médicos estavam na cena, então eles acabaram aplicando o atendimento adequado, a retirada rápida da água, a compressão, no caso do menino, no domingo, e no caso da mulher foi feito aquele torniquete, que é você fazer esse cuidado com o membro para esse sangramento parar”, disse Leonardo Gomes.

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Os ataques

O primeiro ataque ocorreu no domingo (31), na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, tendo como vítima o menino João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos. O segundo foi em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, onde a jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, teve a perna arrancada por um animal. Ambos estão internados no Hospital da Restauração, no Centro da capital.

Atendimento da jovem

No caso de Marcela, que teve a perna direita arrancada ainda no mar, os primeiros socorros foram prestados pelo médico Mike Andrade, de Minas Gerais. De férias no Recife, ele contou que havia acabado de começar uma caminhada na orla com a mãe quando percebeu a movimentação e ouviu os gritos após o ataque.

“Qualquer pessoa pode e deve fazer isso. Não é preciso preparo médico para fazer. Às vezes, o óbvio é mesmo o necessário. […] O problema é que, na maioria das vezes, as pessoas ficam com medo de encostar, ficam com medo de fazer algo errado. Não é errado quando a vida de alguém está em risco”, afirmou.

Ele improvisou um torniquete com o cordão do short da vítima e realizou compressão direta na região do ferimento para conter a hemorragia. “Como a artéria que pegou dela foi a artéria femoral, uma artéria muito calibrosa, muito grossa, então a pressão nela também é mais alta. […] Fiz uma compressão manual também. Toda vez que eu tirava a mão um pouquinho para testar, ainda tinha muito vazamento de sangue, então eu fiz uma compressão bem forte o tempo todo para impedir o sangramento continuar”, explicou.

Atendimento do menino

Luísa Monte foi a médica que ajudou no atendimento de urgência do menino João Lucas em Piedade. Ela estava em casa e desceu com o marido, levando toalhas para prestar os primeiros socorros. A profissional realizou o torniquete para conter a hemorragia.

“Estava em casa e escutei da minha varanda as pessoas pedindo socorro. Quando eu olho para o mar, vejo que tem uma mancha de sangue no mar e as pessoas socorrendo uma pessoa. Naquele mesmo instante, eu penso em prestar socorro, prestar ajuda, e daí eu penso em estancar aquele sangramento de alguma forma. Pego toalhas na minha casa e corro em direção ao local”, contou.

Luísa disse que, após perceber que João Lucas estava respondendo aos primeiros comandos e que estava respirando bem, fez a contenção dos sangramentos por meio de um torniquete feito com as toalhas. “Ele já tinha perdido muito sangue no mar, estava bem pálido, mas consegui fazer um torniquete bem importante com a toalha que eu tinha pego em casa. […] Também faço a lavagem do local com água mineral para tirar areia. A gente fez o que foi possível naquele instante para conter o sangramento, as pessoas ajudaram muito”, disse.

Orientações do Samu

Segundo Leonardo Gomes, em situações de hemorragia intensa, a pessoa deve manter a calma, ligar para o 192 (Samu) ou 193 (Bombeiros) e fazer a compressão direta ou, sendo na extremidade de um braço ou perna, um torniquete para conter o sangramento.

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“Se for num membro, você pode aplicar um torniquete que pode ser com cinto, com uma faixa. Não sendo num membro, numa região em que o ferimento é muito grande, você faz uma compressão direta com um pano limpo. Idealmente, você comprime e segura, não fique retirando a todo tempo para ver se parou aquele sangramento”, informou.