Sobrevivente de queda de 50m em BH relata 24h agarrada a penhasco
Sobrevivente de queda de 50m em BH relata 24h agarrada a penhasco

Em um relato impressionante ao Fantástico, Ana Cláudia Rodrigues, a mulher resgatada após passar 24 horas pendurada em um penhasco em Belo Horizonte, contou como conseguiu sobreviver depois de ser perseguida, sequestrada e empurrada pelo ex-companheiro. A vítima passou a noite agarrada à encosta até ser localizada na manhã seguinte. "Encontrei um buraquinho, uma pedra lá, foi onde eu me encaixei e passei a noite", disse.

Rotina interrompida e ataque

Na manhã do crime, Ana Cláudia saiu de casa por volta das 6h para levar a filha à escola e seguir para o trabalho, como de costume. Sem saber, estava sendo seguida pelo ex-companheiro desde a porta da escola. Por volta das 9h, ao descer do ônibus, foi abordada na rua. Sob ameaça com uma faca, o homem a obrigou a entrar no carro. "Você vai entrar no carro e a gente vai ali só para conversar", disse ele, enquanto pressionava a lâmina contra o pescoço da vítima. O Fantástico teve acesso à imagem que mostra o carro de Silvanildo Amâncio de Araújo entrando em um parque estadual em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, às 9h27 daquela manhã.

Queda de 50 metros

Depois de mais de duas horas de violência, o homem levou Ana Cláudia até um penhasco. Segundo o relato, ele chegou a analisar diferentes pontos antes de decidir o local da tentativa de homicídio. "Ele falava: 'Aqui não dá para você morrer'. Me puxava e levava para outro ponto", disse. Ela ainda tentou resistir, mas acabou sendo empurrada de uma altura de cerca de 50 metros. Durante a queda, pensava apenas nos três filhos. "Ali era o meu fim. Só que, mesmo caindo, senti que eu não ia morrer."

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Noite ao relento e medo

Ferida e com movimentos limitados, Ana Cláudia conseguiu se segurar na encosta. Com frio intenso e pouca proteção contra o clima, passou a noite no local. Foi nesse momento que encontrou um pequeno espaço entre as pedras que ajudou a evitar uma nova queda. "Eu via luzes, achando que era ele me procurando", relatou.

Resgate no amanhecer

Ana Cláudia foi localizada no início da manhã seguinte com o auxílio de um equipamento térmico usado pela polícia, capaz de identificar calor corporal em meio à vegetação. Do helicóptero, os agentes avistaram a vítima ferida, exausta e agarrada a um arbusto. O resgate foi feito por uma encosta íngreme. Segundo ela, o momento mais feliz foi quando viu o aceno vindo da aeronave. "Foi eu que acenei para ela", contou o sargento que participou da operação.

Prisão do suspeito

O ex-companheiro foi preso no mesmo dia, no norte do estado, após confessar o crime. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. De acordo com a polícia, o homem admitiu que sequestrou a vítima e a jogou do penhasco.

Histórico de violência

O casal manteve um relacionamento de 12 anos, marcado por episódios de agressão e ciúmes. Ana Cláudia já havia denunciado o ex anteriormente e relatado ameaças de morte. Ela havia solicitado medida protetiva poucos dias antes do crime. Especialistas alertam que o período de separação é um dos mais perigosos para mulheres em relacionamentos abusivos. Dados mostram que, apenas no primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou 399 casos de feminicídio — o equivalente a uma mulher morta a cada cinco horas.

Segundo nascimento

Após sobreviver à tentativa de feminicídio, Ana Cláudia agora se recupera ao lado da família, que celebrou o que chamou de "segundo nascimento". Ela deixa um alerta para outras mulheres: "Fala, não esconda. Procure ajuda. Não deixe passar."

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