Serra-leonesa vive há seis meses em aeroporto de Belém
Serra-leonesa vive há seis meses em aeroporto de Belém

Mudança de planos e estadia prolongada

Fatmata Sessay, natural de Serra Leoa, está vivendo há seis meses no Aeroporto Internacional de Belém, no Pará. Ela chegou ao Brasil em dezembro de 2025 com o objetivo de reencontrar o filho de 15 anos, que mora no Panamá. No entanto, uma série de problemas documentais impediu que ela continuasse sua viagem.

Ao tentar embarcar para o Panamá, Fatmata não possuía o visto necessário, além de não ter comprovantes de vacinação e renda exigidos pelas autoridades panamenhas. Com a viagem adiada por tempo indeterminado, ela passou a dormir em bancos e cadeiras do terminal, utilizando os banheiros públicos para se higienizar.

Recusa a ofertas de acomodação

Apesar de a administração do aeroporto e organizações de apoio a migrantes terem oferecido vagas em hotéis e abrigos, Fatmata recusou todas as propostas. Ela afirma que prefere permanecer no aeroporto para não se distanciar do local de onde poderá partir a qualquer momento, caso a documentação seja regularizada.

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“Quero ficar perto do portão de embarque. Se sair daqui, posso perder a chance de viajar quando o visto sair”, disse ela em entrevista a uma emissora local. A situação dela lembra o enredo do filme ‘O Terminal’, estrelado por Tom Hanks, que vive em um aeroporto de Nova York após ter seu visto negado.

Falhas no atendimento a migrantes

O caso de Fatmata expõe as dificuldades enfrentadas por migrantes em situação vulnerável no Brasil. A Defensoria Pública da União (DPU) informou que está prestando assistência jurídica à serra-leonesa, mas os trâmites para obtenção de visto humanitário e outros documentos são lentos.

Segundo dados da Polícia Federal, ao menos 12 migrantes ficaram retidos em aeroportos brasileiros em 2025 por falta de documentação. Organizações não governamentais criticam a falta de uma política específica para acolhimento temporário nesses casos.

Enquanto aguarda, Fatmata sobrevive com doações de passageiros e funcionários do aeroporto. Ela mantém contato com o filho por videochamadas e espera que, em breve, possa reencontrá-lo no Panamá.

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