A Polícia Federal deflagrou a Operação Rota Clandestina para desarticular uma organização criminosa especializada no contrabando de cigarros do Paraguai. O grupo utilizava depósitos em Campo Grande (MS) como centro de distribuição para abastecer diversos estados brasileiros. Entre 2019 e 2024, os investigados movimentaram R$ 425,7 milhões, conforme dados bancários e fiscais analisados.
Estrutura sofisticada
A investigação revelou uma organização com divisão de tarefas, cadeia de comando definida, empresas para movimentação financeira e logística que envolvia depósitos, caminhões, veículos menores e escoltas para acompanhar as cargas. Foram presos cinco suspeitos, cada um com funções específicas no esquema.
Os presos e suas funções
- Alexandre Leite do Nascimento: apontado como "tesoureiro" e braço direito do chefe, responsável pelo controle financeiro.
- Emerson Inácio Caviglioni: responsável pela logística de armazenamento e movimentação das cargas em Campo Grande.
- Emerson Renner de Sousa Caviglioni: filho de Emerson Inácio, atuava no auxílio logístico e armazenamento.
- Matheus da Silva Guerra: encarregado de armazenar e transportar os cigarros em veículos menores até os pontos de transbordo.
- José Luiz Machado: proprietário de frota de transporte usada para a distribuição interestadual das mercadorias ilícitas.
O g1 não localizou as defesas dos suspeitos presos.
Chefia e tesouraria do esquema
Willyan Paredes Gonçalves era o principal responsável pela organização criminosa, coordenando a compra dos cigarros no Paraguai, acompanhando carregamentos e mantendo contato com integrantes das diferentes etapas. Alexandre Leite do Nascimento, operador financeiro, administrava pagamentos, controlava transferências bancárias e operacionalizava remessas clandestinas de dinheiro para fornecedores paraguaios. Somente Alexandre movimentou mais de R$ 62,7 milhões, enquanto Willyan registrou movimentação superior a R$ 26,4 milhões entre 2019 e 2024.
Campo Grande como centro de distribuição
Após cruzar a fronteira por rotas clandestinas, os cigarros eram levados para depósitos em Campo Grande, que funcionava como entreposto logístico. Os imóveis no Bairro Santa Emília eram usados para armazenar as mercadorias antes de seguirem para Goiás e Mato Grosso.
Núcleo logístico
Emerson Inácio Caviglioni coordenava a logística em Campo Grande, com auxílio do filho Emerson Renner. Matheus da Silva Guerra movimentava os cigarros entre depósitos e pontos de carregamento com veículos menores. Os três tiveram prisão preventiva decretada.
Rota dos cigarros
O esquema começava em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, onde os cigarros eram adquiridos. Eles eram trazidos ao Brasil por caminhos alternativos, com cargas divididas em veículos menores para reduzir riscos. Em Campo Grande, a mercadoria era armazenada e depois transportada para outros estados em caminhões.
Documentação falsa
Para dificultar a fiscalização, a organização usava notas fiscais ideologicamente falsas, simulando operações comerciais legítimas durante o transporte interestadual.
Transporte e distribuição nacional
José Luiz Machado era responsável pela frota de caminhões que distribuía os cigarros para diversas regiões. Caminhões ligados ao grupo foram apreendidos entre 2023 e 2025, e ele também teve a prisão preventiva decretada.
Apreensões e lavagem de dinheiro
Foram identificadas 12 grandes apreensões, totalizando mais de 1 milhão de maços de cigarros em Mato Grosso do Sul e Goiás. A PF também encontrou indícios de lavagem de dinheiro: empresas movimentavam valores incompatíveis com a renda declarada, como uma que movimentou R$ 243 milhões e outra de pequeno porte com R$ 29 milhões.
Remessas ilegais ao Paraguai
Parte do dinheiro arrecadado era enviada aos fornecedores paraguaios via "dólar-cabo", sistema paralelo de transferências internacionais sem registro oficial.
Bloqueio de bens
A Justiça Federal autorizou o bloqueio de bens e valores dos investigados em até R$ 17,8 milhões, calculados com base no prejuízo tributário, remessas ilegais e multas potenciais.



