A Polícia Civil de São Paulo prendeu o vereador Senival Moura (PT), suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de ônibus Transunião. A prisão ocorreu nesta quarta-feira (19) durante uma operação que também cumpriu mandados contra outros quatro investigados, dos quais dois não foram localizados.
Investigação aponta participação do vereador em decisões financeiras
Segundo os investigadores, Senival Moura participava de decisões financeiras na Transunião, mesmo sem ocupar cargo formal na empresa, que opera 50 linhas na capital paulista. “A pessoa não aparece formalmente na estrutura da empresa, mas, quando analisa as comunicações das pessoas envolvidas, se demonstra que essa pessoa tem poder decisório sobre a empresa”, afirmou o promotor de Justiça Danilo Pugliesi.
A investigação concluiu que a Transunião montou um esquema fraudulento na movimentação de recursos para lavar dinheiro do PCC. “Eles realizavam o aumento patrimonial fictício da empresa. De R$ 100 mil para R$ 50 milhões. E isso, evidentemente, injetado com o dinheiro do crime organizado para, depois, o processo de lavagem voltar para os criminosos”, disse Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC).
Esquema começou após execução de ex-presidente da Transunião
A investigação teve início em 2020, após a execução de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião. De acordo com a polícia, ele foi morto por ordem do PCC, que suspeitava que Adauto estava desviando dinheiro para a campanha do vereador Senival. Esta é a terceira empresa do transporte público de São Paulo a ser alvo de operação por suspeita de envolvimento com o crime organizado.
A Justiça afastou toda a diretoria da Transunião, e a prefeitura determinou intervenção na empresa para garantir a continuidade das linhas de ônibus.
Defesa e reações
A defesa de Senival Moura afirmou que o vereador confia na Justiça e tem convicção de que sua inocência será demonstrada. O diretório municipal do PT declarou que vai abrir um procedimento na comissão de ética, que pode resultar na expulsão do vereador. Já o advogado da Transunião disse que a intervenção vai demonstrar que a empresa possui apenas recursos de natureza pública, sem dinheiro ilícito.



