A Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro investiga uma série de mortes causadas por agentes em serviço em apenas sete dias. O caso mais recente envolve o policial militar Vinicius Vieira Moraes, afastado após matar o motociclista Eduardo de Castro Ornellas, de 26 anos, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Em depoimento à Polícia Civil, o PM admitiu que confundiu o celular que o jovem carregava na cintura com uma arma de fogo.
Detalhes do caso
Imagens de câmeras de segurança mostram a perseguição a pé e o policial gritando "vai morrer" para Eduardo. Segundo a família, o motociclista não obedeceu a uma ordem de parada por medo de ter a moto apreendida, já que estava com documentos atrasados. O pai da vítima, Carlos Eduardo Ornellas, relatou: "Ainda chegou para mim e falou: ‘Poxa, antes ele do que eu’. Porque ele meteu a mão na cintura e eu não vi que era um celular. Eu pensei que era uma arma. Então eu fui e atirei."
Consequências e reações
Eduardo foi enterrado nesta terça-feira (2) no Cemitério Parque da Paz, em São Gonçalo. Ele trabalhava com entregas. A namorada, que estava com ele, ficou ferida; parentes afirmam que os policiais jogaram a viatura contra a moto. A mãe, Cristiane de Castro, lamentou: "Aborde uma pessoa, mas não arranque a vida de um ser humano. Arrancar a vida de um ser humano é arrancar a vida de um pai e de uma mãe. Porque a vida para mim acabou." O pai questionou a ação: "Quem não corre se você chegar para qualquer um e falar ‘vai morrer’ e der um tiro para o alto? Ele correu, eles foram atrás e fizeram a covardia com meu filho. Deram um tiro por trás, na nuca."
Investigação em andamento
A Polícia Civil informou que ouviu os PMs envolvidos e testemunhas. "A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) investiga a morte de Eduardo de Castro Ornellas. Os policiais militares envolvidos na ocorrência e testemunhas foram ouvidos na unidade. As armas dos agentes foram apreendidas e serão submetidas a confronto balístico. As imagens das câmeras corporais já foram requisitadas." A Polícia Militar afirmou que a Corregedoria-Geral, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, iniciou a apuração. O policial foi afastado imediatamente das funções operacionais.



