A Polícia Federal deflagrou duas operações, denominadas Além Mares e Kokainlieferung, nesta segunda-feira, com o objetivo de desarticular um esquema de tráfico internacional de cocaína que envolvia funcionários terceirizados do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. As investigações tiveram início após apreensões significativas de drogas em Portugal e na Alemanha, que apontaram para a participação de empregados do terminal aeroportuário no envio de entorpecentes para a Europa.
Funcionários sob suspeita e medidas cautelares
De acordo com a PF, três funcionários terceirizados são investigados por integrar a organização criminosa. Destes, dois já se encontravam presos em decorrência de investigações anteriores, mas continuam sendo alvo das novas apurações. As ações incluem o cumprimento de mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares, como a suspensão de atividades profissionais e restrições de contato com outros suspeitos. A operação Kokainlieferung, cujo nome remete à palavra alemã para "entrega de cocaína", concentra-se especificamente no rastreamento de remessas interceptadas na Alemanha.
Investigação internacional e apreensões
As apreensões que motivaram as operações ocorreram em portos e aeroportos de Portugal e da Alemanha, onde foram encontrados grandes volumes de cocaína pura, escondidos em cargas de exportação. A PF trabalhou em cooperação com as autoridades europeias, por meio da Interpol e de acordos bilaterais, para identificar a origem das remessas. As investigações apontaram que os funcionários terceirizados do Aeroporto de Guarulhos atuavam na logística de envio, facilitando o embarque das drogas sem a devida fiscalização.
Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia a corrupção de agentes de segurança e a manipulação de sistemas de rastreamento de bagagens e cargas. A estimativa é que o grupo tenha enviado ao menos 500 quilos de cocaína para a Europa nos últimos dois anos, com valor de mercado superior a R$ 100 milhões. "As operações Além Mares e Kokainlieferung representam um duro golpe contra o tráfico internacional que utiliza a estrutura aeroportuária de Guarulhos", afirmou o delegado responsável, em entrevista coletiva.
Impacto e próximos passos
A PF não descarta novas prisões e ampliação das investigações para outros aeroportos do país. A concessionária GRU Airport, que administra o terminal de Guarulhos, informou que colabora integralmente com as autoridades e que já iniciou uma auditoria interna nos processos de contratação e supervisão de funcionários terceirizados. A operação desta segunda-feira mobilizou 60 policiais federais e cumpriu 12 mandados judiciais na Grande São Paulo.



