A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (6) uma operação para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que utilizava apostas esportivas e criptoativos como mecanismos para ocultar e dissimular valores ilícitos. A investigação teve origem no compartilhamento de informações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificou movimentações suspeitas envolvendo 87 empresas.
Nove mandados de busca em São Paulo e Porto Alegre
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), além de outras localidades. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal. Durante as buscas, os agentes apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos e valores que podem comprovar a atuação do grupo criminoso.
Segundo a PF, as empresas investigadas movimentaram grandes quantias de dinheiro de forma ilícita, utilizando contas de apostas esportivas para receber recursos de origem criminosa e, em seguida, realizar a evasão de divisas por meio da compra e venda de criptoativos.
Esquema envolvia 87 empresas e criptoativos
A investigação aponta que o esquema era sofisticado e contava com uma estrutura empresarial para dar aparência de legalidade às transações. As 87 empresas eram utilizadas como fachada para receber os valores das apostas e, posteriormente, convertê-los em criptomoedas, que eram enviadas para o exterior.
“A utilização de criptoativos dificulta o rastreamento do dinheiro, mas a cooperação entre a Secretaria de Prêmios e Apostas e a Polícia Federal foi fundamental para identificar o fluxo financeiro ilícito”, afirmou o delegado responsável pela operação, em entrevista coletiva.
Criminosos podem pegar até 10 anos de prisão
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa. As penas, somadas, podem chegar a até 10 anos de reclusão. A PF não descarta novas fases da operação, que segue em andamento para identificar todos os participantes do esquema.
A operação desta segunda-feira é mais um passo no combate à lavagem de dinheiro no Brasil, especialmente no setor de apostas esportivas, que tem crescido exponencialmente nos últimos anos. O Ministério da Fazenda já havia sinalizado que intensificaria o monitoramento das empresas de apostas para coibir práticas ilegais.



