A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 3, a Operação Exchange contra um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 10 bilhões para o Primeiro Comando da Capital (PCC). O principal alvo é Victor Henrique de Oliveira Shimada, primeiro brasileiro sancionado pelos Estados Unidos por vínculo com a facção. A operação cumpre 11 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão contra um núcleo financeiro da organização criminosa.
Estrutura de empresas de fachada
Segundo a PF, Shimada estruturou um arcabouço com 73 empresas de fachada para ocultar e movimentar cifras bilionárias do tráfico de drogas, especialmente de haxixe. As empresas foram bloqueadas por decisão do juiz Paulo Cezar Duran, da 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo. A medida também determinou o bloqueio e sequestro de bens, direitos e valores até o limite de R$ 10.386.527.419,19, de forma solidária, envolvendo os investigados e as pessoas jurídicas citadas.
Sanções dos EUA
Na quarta-feira, 1º, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Shimada, sua secretária Stella Stefanie Nunes, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal, por suposta participação em lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Segundo o governo americano, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas.
Movimentações financeiras suspeitas
A investigação da PF reúne análises de relatórios de inteligência financeira e laudos periciais contábeis que apontam movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada de Shimada. A empresa Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda., que não possui empregados registrados, foi citada em centenas de comunicações que somam R$ 29,3 bilhões. Já Victor Shimada aparece em dezenas de registros envolvendo valores expressivos.
Uso de criptomoedas e códigos cifrados
Os operadores do esquema também tinham forte atuação no ramo de criptomoedas. A diversificação dos recursos por meio de criptoativos é evidenciada em conversa na qual Ygor Fokin, apontado como um dos líderes do esquema de lavagem ao lado de Shimada, discute com ele a utilização do token “ERC” e diferentes formas de alocação de valores. No diálogo, são usadas referências cifradas como “branca”, “verde” e “azul” para indicar modalidades de investimento, além de expressões que indicam preocupação com rastreamento, como na mensagem: “Por isso bom sempre passar a gnt vai trocando moeda papel wire e cripto”.
Planilha de controle e operações nos EUA
Documentos indicam o uso de estruturas financeiras para dissimular a origem dos recursos, incluindo uma planilha de controle atribuída a um usuário identificado como Harry Thompson, também referido como Bryan Willians, apontado como vulgo de Shimada, em grupo de WhatsApp. A planilha reúne dados sobre valores, câmbio, cidades e saldos, além de movimentações estimadas em US$ 7,5 milhões em cidades dos Estados Unidos, como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles.



