PF apreende fuzil e pistolas em operação contra ex-prefeito de Belford Roxo
PF apreende fuzil e pistolas contra ex-prefeito de Belford Roxo

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (8) a 6ª fase da Operação Unha e Carne, com alvos no Rio de Janeiro. Foram apreendidos um fuzil, cinco pistolas, carregadores, dinheiro em espécie (real e moeda estrangeira), relógios de alto padrão, joias e carros de luxo. A Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

Alvos da operação

Entre os alvos estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Também foi alvo o ex-PM Juracy Alves Prudêncio, o Jura, apontado no relatório final da CPI das Milícias da Alerj (novembro de 2008) como chefe de grupo paramilitar em Nova Iguaçu. Outro alvo é o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo, que, segundo a PF, é dono, por meio de laranjas, de uma rede de postos de gasolina – mais de 80 empresas ligadas a parentes do policial.

Esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões

A investigação teve origem em relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentação de R$ 7,6 bilhões nos últimos 6 anos. A PF afirma que o grupo é investigado por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. A ação se insere no contexto da ADPF 635 (ADPF das Favelas), que determinou que a PF investigasse relações de agentes públicos com facções criminosas.

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Perfil dos investigados

Márcio Canella foi vereador em Belford Roxo (2012), deputado estadual por três mandatos e vice-prefeito de Waguinho (2017-2019). Em 2024, foi eleito prefeito, mas renunciou em abril de 2026 para concorrer ao Senado, apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro. O delegado Marcus Amim chefiou a Polícia Civil do RJ entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Em 2018, Canella propôs a Medalha Tiradentes a Amim.

Outras fases da Operação Unha e Carne

A operação teve cinco fases anteriores desde dezembro de 2025. A 1ª fase teve como alvo o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, hoje cassado e preso, suspeito de vazar informações da Operação Zargun contra o Comando Vermelho. A 2ª fase prendeu o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, suspeito de repassar informações a Bacellar. A 3ª fase (março de 2026) resultou na nova prisão de Bacellar após cassação pelo TSE e denúncia da PGR. A 4ª fase (maio de 2026) prendeu o deputado estadual Thiago Rangel, suspeito de fraudes na Secretaria de Educação. A 5ª fase (2 de junho) prendeu o pastor Márcio Poncio e o bicheiro Adilsinho, além de cumprir mandados contra Bacellar. As investigações revelaram listas de políticos – incluindo o ex-governador Cláudio Castro e o ex-deputado Alexandre Ramagem – suspeitos de receber doações de Adilsinho.

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