O pai de João Lucas Castor Nemezio Sales, o menino de 11 anos que perdeu uma das pernas após ser mordido por um tubarão na praia de Piedade, no Grande Recife, falou sobre a recuperação do filho. Nesta sexta-feira (5), Lucas Nemezio atualizou o estado de saúde da criança e agradeceu aos profissionais que o atenderam.
Isolamento e riscos de infecção
Segundo o pai, João Lucas permanece em isolamento estrito devido ao alto risco de infecção. “Hoje ele se encontra em isolamento estrito e essa é uma medida médica vital, pois o risco de infecção ainda é alto. A imunidade dele está muito baixa. Cada visita, por mais cheia de carinho que seja, representa um risco que ele não pode correr agora”, afirmou Lucas, em vídeo publicado nos stories do Instagram.
Histórico do ataque e internação
O ataque ocorreu no domingo (31). João Lucas ficou quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração, no Derby, área central do Recife. Na quinta-feira (4), foi transferido para uma unidade da rede Unimed, na Ilha do Leite, também no centro da cidade. Um dia após o incidente com o garoto, a jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, teve a perna direita arrancada por um tubarão em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Ela também deixou a UTI na quinta e segue internada na enfermaria do Hospital da Restauração.
Desafios da recuperação
Lucas Nemezio destacou que o filho mora com a mãe e o irmão em uma casa pequena e enfrentará uma longa recuperação. A família iniciou uma campanha nas redes sociais para arrecadar fundos para o tratamento. “A recuperação de João Lucas será longa. Embora o plano de saúde cubra parte do hospitalar, os custos invisíveis de uma amputação são gigantescos. Estamos falando de adaptações estruturais, tratamentos que o plano não cobre, remédios caríssimos e insumos de ponta. A saúde psicológica do João Lucas foi muito abalada e exige cuidado especializado”, afirmou.
Transferência do pai
O pai contou que ingressou na Polícia Rodoviária Federal (PRF) há quatro meses e estava em serviço em Manaus quando o filho sofreu o ataque. “Eu ainda estava me fixando lá, sem casa própria, e agora estou tentando viabilizar minha transferência de volta”, disse.
Agradecimentos e salvamento
Lucas agradeceu às equipes médicas dos hospitais e às pessoas que ajudaram no socorro na praia, especialmente à médica Luísa Monto, que fez um torniquete na perna da vítima para estancar o sangramento antes da chegada dos bombeiros. Especialistas consideram a técnica fundamental para salvar a vida do menino. “No dia mais difícil das nossas vidas, nós testemunhamos um milagre. E esse milagre só foi possível porque Deus colocou anjos no caminho do meu filho, João Lucas. Quero deixar meu agradecimento mais profundo a toda a equipe de salvamento. A médica abençoada que saiu da sua própria casa e fez os primeiros socorros na praia”, declarou.
Relembre os casos
João Lucas Castor Nemezio Sales, 11 anos
- Mordido no domingo (31) quando estava com tios, primos e colegas na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
- Atingido na coxa e mão esquerdas, retirado do mar por parentes e socorrido por guarda-vidas.
- Levado ao Hospital da Aeronáutica, em Piedade, estabilizado e transferido para o Hospital da Restauração.
- Passou por cirurgia com amputação da perna. Na mão esquerda, sofreu fraturas reparadas e suturadas.
- Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), um tubarão-cabeça-chata foi o responsável. A espécie costuma ir a partes rasas para investigar presas.
Marcela Vitória de Lima Santos, 19 anos
- Mordida na tarde da segunda-feira (1º) na Praia de Boa Viagem, enquanto estava com primos e amigos.
- Um primo a retirou do mar; ela já saiu sem uma das pernas.
- Socorrida por um médico de Minas Gerais que estava na praia e fez um torniquete para estancar o sangramento.
- Levada ao Hospital Alfa, em Boa Viagem, estabilizada e transferida para o Hospital da Restauração, onde passou por cirurgia.
- Segundo o diretor do hospital, a jovem chegou em choque hemorrágico profundo. Na cirurgia, os vasos sanguíneos lesionados foram estancados e a área tratada para favorecer a cicatrização.
- De acordo com o Cemit, um tubarão-tigre esteve envolvido no incidente.



