Operação contra Tren de Aragua prende 11 e apreende Porsche e dólares
Operação contra Tren de Aragua prende 11 e apreende Porsche

A operação contra a facção venezuelana Tren de Aragua resultou na prisão de 11 pessoas, além da apreensão de um Porsche, dinheiro, carros, drogas, uma pistola calibre 380 e munições de fuzil calibres 7.62 e 5.56. O balanço foi divulgado nesta terça-feira (16) pela Polícia Civil.

Presos e apreensões

Dos 11 presos, cinco foram encontrados no Amazonas, quatro em Roraima, um no Rio de Janeiro e um no Paraná. A operação teve como alvo os braços operacional e financeiro da facção, investigada por crimes como tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro.

Foram apreendidos R$ 76.725 em espécie, US$ 48.285 (cerca de R$ 246 mil) e € 35 (cerca de R$ 207). A polícia estima que o dinheiro recolhido possa chegar a quase R$ 400 mil após conversões. Equipes também apreenderam 11 veículos, incluindo carros de luxo como um Porsche no Rio de Janeiro e um Land Rover em São Paulo. Em Roraima, foram confiscados quatro carros — uma S10, um Creta, um HR-V e um HB20, além de porções de ecstasy.

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Roraima como corredor de armas

A investigação indicou que a Tren de Aragua usa Roraima como corredor para o tráfico internacional de armas. O mapeamento contra o grupo criminoso teve início com a apreensão de fuzis de origem americana na operação Kapok, em novembro de 2024, na vila Samaúma, em Mucajaí, interior de Roraima. A partir disso, a polícia identificou que a facção fornece armamento de guerra, como metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, a facções como o Comando Vermelho no Amazonas e no Rio de Janeiro.

“Há um conjunto probatório robusto de que essas armas eram enviadas para o estado do Amazonas e, em um segundo momento, para o estado do Rio de Janeiro. Armas oriundas dos Estados Unidos, armas oriundas da Colômbia e da Venezuela. Esses armamentos passavam por essa nossa região e eram encaminhados a essas outras áreas”, detalhou o delegado Wesley Costa, que investiga o grupo criminoso.

O delegado explicou que não é comum que armas de grosso calibre sejam apreendidas em Roraima porque esse tipo de armamento não tem uso prático pelas facções no estado. Essa constatação fez com que a polícia ampliasse a investigação e chegasse ao mapeamento da rota. “Isso faz com que Roraima seja um corredor desse armamento. E na modalidade corredor, a gente tem uma dificuldade a mais para conseguir apreender qualquer tipo desse armamento, porque, sendo corredor, a arma somente passa [por Roraima]. Para conseguirmos apreender esse carregamento, temos que ter uma informação muito qualificada e muito rápida”, detalhou Costa.

Operação Rota do Norte

Na operação desta terça, foram expedidos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 de busca e apreensão contra investigados por envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas. A operação ocorre em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Paraná. Os alvos da polícia em Roraima atuam em nível intermediário da estrutura financeira da facção. Já no braço responsável pelas ações violentas, os principais líderes estão no estado.

Fundada em uma prisão na Venezuela, a Tren de Aragua atua em países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile com crimes que incluem sequestro, extorsão, mineração ilegal e tráfico de drogas e de pessoas. No ano passado, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira, a mesma designação aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho.

A operação foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco), em Boa Vista, com o apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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