Operação prende nove advogados ligados a facções criminosas na Bahia
Nove advogados presos em operação contra facções na Bahia

A Polícia prendeu seis advogadas e três advogados na Operação Sintonia da Gravata, deflagrada nesta sexta-feira, 3, para desarticular um esquema de facções do crime organizado instalado em prisões na Bahia. Além dos bacharéis, foram alvo de mandados de prisão outros doze investigados, todos ligados ao Comando Vermelho, Bonde do Maluco e Terceiro Comando Puro. Líderes do tráfico de drogas e de armas, eles já estão custodiados; mesmo atrás das grades, segundo a investigação, distribuíam a faccionados em liberdade ordens que lhes eram repassadas pelos advogados.

Justiça bloqueia R$ 10 milhões em bens

A Justiça decretou o bloqueio de R$ 10 milhões em dinheiro, além de veículos, imóveis, embarcações e até aeronaves dos investigados, 'com o objetivo de impedir a movimentação de recursos vinculados às atividades ilícitas'. A operação mobilizou mais de uma centena de agentes, entre policiais e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), braço do Ministério Público estadual. As ordens de prisão e 27 mandados de buscas – executados nos municípios baianos de Serrinha, Salvador, Camaçari, Barreiras, Feira de Santana e Lauro de Freitas – foram expedidas pela 1.ª Vara Criminal de Eunápolis.

Núcleo externo de advogados intermediou ordens

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e a Promotoria, os suspeitos mantinham estrutura para o tráfico e também para aquisição, circulação, posse e guarda de armas de fogo das facções. Os advogados promoviam a articulação entre criminosos já presos e outros soltos. A força-tarefa apreendeu notebooks, celulares e documentos que poderão levar a novos detalhes sobre a organização e identificação de outros envolvidos.

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A Operação Sintonia da Gravata integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, que faz parte da estrutura do Ministério Público em todo o País, com o objetivo de intensificar o enfrentamento às facções criminosas. De acordo com os promotores de Justiça do Gaeco, as investigações identificaram a atuação de facções estruturadas e com atuação regional.

Esquema de comunicação clandestina

Segundo a Promotoria e a Polícia, as informações já reunidas indicam que as organizações 'mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina que permitia a continuidade das atividades criminosas mesmo com lideranças custodiadas em unidade prisional de segurança máxima'. Os advogados sob suspeita faziam parte de um 'núcleo externo' responsável por intermediar a transmissão de ordens entre integrantes presos e em liberdade.

Para os promotores do Gaeco, os nove advogados, 'mediante abuso das prerrogativas da classe', teriam burlado o isolamento e incomunicabilidade com o meio externo imposto em presídio de segurança máxima, com a finalidade de viabilizar a gestão de facções criminosas por suas lideranças presas, que também foram alvo das medidas.

Papel estratégico dos advogados

A Operação Sintonia da Gravata mostra que os advogados exerciam 'papel estratégico' na transmissão de mensagens, na consolidação de decisões e no acompanhamento das atividades criminosas. Esse 'fluxo de comunicação', diz a Promotoria, permitia às lideranças das facções, mesmo presas, participar da gestão do tráfico de drogas, da comercialização de entorpecentes, da aquisição e circulação de armas de fogo, da movimentação de recursos financeiros e da resolução de conflitos internos, evidenciando uma estrutura organizada, hierarquizada e dividida por funções.

A Polícia informou que o grupo conseguiu contornar mecanismos de isolamento previstos no sistema prisional, mantendo ativa uma rede de transmissão de ordens que contribuiu para a continuidade das práticas criminosas e para o fortalecimento dessas organizações.

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