Mulher de 37 anos que se passava por criança é presa após adoção em Santa Catarina
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi presa após viver por 14 meses como filha adotiva de uma família em Santa Catarina, fingindo ter 12 anos. O caso, que chocou o país, revela que a mulher também enganou autoridades e famílias no Rio Grande do Sul, onde aplicou golpes semelhantes em pelo menos cinco cidades.
Histórico de fraudes no Rio Grande do Sul
Em Porto Alegre, Amanda chegou a ser acolhida em uma instituição para menores em situação de vulnerabilidade. Na época, ela tinha 31 anos e dizia ter 11. A farsa só foi descoberta após uma perícia que identificou sua verdadeira idade. Segundo a promotora Cinara Vianna Dutra Braga, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, sempre que uma perícia era marcada, a mulher fugia e depois retornava. Em novembro, durante uma internação psiquiátrica, o Instituto-Geral de Perícia confirmou que ela era adulta, e não uma criança.
A instituição que a acolheu, o abrigo João Paulo II, da Rede Calábria, informou que quem responde oficialmente pelo caso é a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) de Porto Alegre. A SMAS confirmou em nota que a mulher inicialmente se declarou menor de idade, mas durante o acompanhamento descobriu-se que a informação era falsa.
Outros golpes e prisões anteriores
Em 2021, uma investigação da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Cachoeirinha prendeu Amanda preventivamente por estelionato. Ela ficou seis meses presa e foi solta em junho de 2022. Na ocasião, ela se identificava como Gabriele, de 11 anos. Já em Pinto Bandeira, na Serra, Amanda foi a um hospital alegando ser vítima de exploração sexual de adolescentes. O Conselho Tutelar desconfiou da aparência e acionou a Brigada Militar. Ela foi autuada em flagrante por uso de documento falso, mas não permaneceu presa.
A promotora destacou a gravidade do caso: havia notícia de maus-tratos, e a mulher havia inserido objetos como agulhas, pregos, parafusos e clipes no próprio corpo, além de apresentar problemas de saúde mental que exigiam tratamento médico.
Modus operandi
O delegado André Mocciaro, responsável pela investigação, afirma que Amanda desenvolveu um método para enganar vítimas e autoridades. Ela usava o sistema a seu favor, forjando situações em que aparecia como vítima. Registrava ocorrências de crimes sexuais ou desaparecimento e, ao se passar por menor, buscava atendimento em serviços de saúde e acolhimento em abrigos, obtendo documentos oficiais. Para reforçar a narrativa, alegava problemas de saúde, e sua aparência física contribuía para o convencimento.
Defesa e exames de sanidade mental
A defesa de Amanda, representada por um defensor dativo, solicitou a realização de exame de sanidade mental. O pedido foi acolhido pelo Juízo, que determinou perícia oficial para avaliar sua condição psíquica. Enquanto isso, ela permanece presa preventivamente, aguardando a conclusão do exame.
Notas oficiais
O abrigo João Paulo II informou que, por ser um projeto em parceria com o poder público, qualquer manifestação oficial deve ser feita pela SMAS de Porto Alegre. A SMAS, por sua vez, esclareceu que a pessoa passou pela rede socioassistencial em anos anteriores, foi acolhida em instituição conveniada que hoje não mantém parceria com a prefeitura, e que, ao se descobrir a idade real, o caso foi reavaliado.



