Uma mulher de 33 anos é investigada pela Polícia Civil de Taiaçu (SP) por suspeita de administrar clonazepam, um calmante de tarja preta, aos três filhos — uma bebê de seis meses, uma menina de três anos e um adolescente de 15 anos — para fazê-los dormir. O caso veio à tona após uma amiga da família, Simone Silva, desconfiar da medicação e socorrer as crianças no sábado (27).
Amiga encontrou bebê desacordada
Simone, que trabalha como segurança de eventos, contou que foi alertada pelo filho mais velho de Natalia, que disse: “Tia, ela [a bebê] está meio gripadinha, a mamãe pôs um comprimido no meio do leite”. Ao chegar na residência, Simone encontrou a bebê “bem molinha, espumando a boca e babando muito”, com o olho “todo branco e virado para cima”. Ela levou imediatamente as três crianças ao pronto-socorro.
Crianças receberam alta e estão com tia
De acordo com o Conselho Tutelar de Taiaçu, as crianças passam bem e foram encaminhadas aos cuidados de uma tia paterna. A bebê permaneceu sob monitoramento contínuo em um hospital de Bebedouro (SP) devido ao intenso estado de sonolência. O adolescente também apresentava sonolência, mas em menor intensidade, enquanto a menina de três anos tinha quadro clínico menos grave.
Mãe foi presa em flagrante e solta em audiência
Natalia foi presa em flagrante no sábado por suspeita de maus-tratos contra menores de 14 anos, mas teve a liberdade provisória concedida pela Justiça em audiência de custódia. A Defensoria Pública de São Paulo acompanhou a audiência e informou que só se manifestará nos autos. Um laudo atesta que Natalia tem problemas mentais e precisa de supervisão para cuidar dos filhos.
Contradições e frieza emocional
Segundo Simone, Natalia deu explicações diferentes: primeiro disse que estava cansada e não conseguia dormir por causa do choro das crianças; depois atribuiu a situação ao companheiro. À polícia, inicialmente negou ter administrado medicamentos, depois sugeriu que o companheiro poderia ter dado remédio à menina de três anos e preparado a mamadeira da bebê, e ainda afirmou que a filha do meio poderia ter ingerido o medicamento acidentalmente. O delegado Flávio Martins Villela Tavares registrou que Natalia apresentou “aparente frieza emocional” durante o interrogatório, sem demonstrar remorso ou preocupação com a saúde dos filhos.
Condições precárias e acompanhamento
Simone relatou que a família vivia em condições precárias, e moradores organizaram mutirões de limpeza e arrecadações de alimentos, leite e fraldas, mas a desordem voltava. Ela pede que as autoridades investiguem também o histórico psiquiátrico de Natalia: “Eu acho que o caso dela é psiquiátrico... parece que ela já passa por situações desde pequena de abuso”. A Prefeitura de Taiaçu informou que a família é acompanhada pelas áreas de saúde, assistência social e educação, e que Natalia possui laudo psiquiátrico e é acompanhada por médicos e psicólogos. O adolescente é acompanhado pela APAE, e as crianças têm vagas na rede municipal de ensino.



