A Polícia Federal e a Receita Federal apreenderam 260 toneladas de madeira impregnadas com cocaína na fronteira entre Brasil e Bolívia, nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Parte da carga foi enviada para análises laboratoriais em Campo Grande, onde peritos realizarão testes químicos para confirmar a presença da droga e estimar a quantidade existente no material. Após a perícia, a carga deverá ser incinerada, conforme informou a PF ao g1.
Apreensão ocorreu em operação internacional
A apreensão aconteceu no domingo (21), durante a Operação Timber Shield, realizada pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, Exército Brasileiro e órgãos de inteligência dos Estados Unidos e da Bolívia. As equipes fiscalizaram cerca de 260 toneladas de madeira transportadas em oito caminhões. Quatro veículos foram interceptados em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT). Informações compartilhadas por autoridades brasileiras, norte-americanas e bolivianas indicavam a possibilidade de a carga estar contaminada com cocaína, o que levou ao reforço da fiscalização na região de fronteira.
Cão farejador foi fundamental na identificação
Um cão farejador da Receita Federal foi essencial para localizar a carga suspeita. Durante as inspeções, o animal demonstrou interesse em um dos carregamentos, o que levou ao aprofundamento das análises. Segundo a Receita Federal, as informações enviadas por autoridades dos Estados Unidos e pela Aduana da Bolívia já indicavam a possibilidade de a madeira estar contaminada, e a reação do cão reforçou as suspeitas das equipes.
Método incomum de ocultação
Diferentemente dos métodos tradicionais, a droga não estava armazenada em tabletes ou pacotes. A suspeita é de que os criminosos tenham impregnado a madeira com cocaína líquida, um método considerado incomum e de difícil detecção. A extração da cocaína será feita por meio da imersão das toras em reagentes químicos, processo que faz com que a substância se desprenda da madeira, decante e se acumule no fundo do recipiente para coleta.
Análise será feita apenas em amostras
Devido ao grande volume da carga, a retirada da droga de todo o material é considerada inviável pelas autoridades. Por isso, a análise será realizada apenas em parte da carga. Segundo fontes ligadas à operação, a extração completa da droga é inviável porque o procedimento é lento, tem alto custo e exigiria uma estrutura em escala industrial. Após os exames laboratoriais, os peritos vão estimar a quantidade de cocaína presente na carga.
Destino da carga e próximos passos
De acordo com as informações obtidas durante a operação, a madeira tinha como destino Mato Grosso do Sul e Paraná. Parte dos caminhões seguiria para Campo Grande antes da distribuição da mercadoria. Enquanto os exames continuam, os veículos permanecem sob custódia das autoridades. Em Corumbá, os caminhões estão armazenados no pátio da Agesa, principal porto seco da região e terminal logístico na fronteira entre Brasil e Bolívia. As autoridades aguardam os laudos definitivos para confirmar a composição do material e a quantidade de cocaína existente na carga. Se as estimativas iniciais forem confirmadas, a apreensão poderá estar entre as maiores já registradas no país. A investigação também busca identificar os responsáveis pelo esquema criminoso.



