Júri do caso Henry Borel pode ter sentença nesta quarta após debates de 9 horas
Júri do caso Henry Borel: sentença pode sair nesta quarta

O júri do caso Henry Borel, que chega ao 10º dia, pode ter a sentença proferida no final da noite desta quarta-feira (3). Os debates entre acusação e defesa, que podem durar até 9 horas, ocorrem após o interrogatório de 22 testemunhas e dos dois réus.

Debates e votação

Na terça-feira (2), foram ouvidos Monique Medeiros, mãe da criança e presa pela morte de Henry, e Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, acusado de agredir a criança. Na fase de debates, o Ministério Público e os assistentes de acusação terão 2h30 para apresentar suas teses aos jurados. As defesas também terão igual período para sustentar seus argumentos. Como há dois réus, os advogados precisarão dividir esse tempo entre as duas bancas de defesa.

Após as sustentações iniciais, a acusação poderá fazer uma réplica de até 2h. Em seguida, as defesas terão direito à tréplica, também de até duas horas (1h para cada réu). Somadas todas as manifestações, a fase de debates pode ultrapassar 9 horas e se estender por grande parte do dia de julgamento.

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Depois do debate, os sete jurados do Conselho de Sentença responderão quesitos sobre materialidade e autoria dos crimes. Os quesitos são formulados de forma distinta para cada réu. A decisão é tomada por maioria de votos. Quando a votação for concluída, a juíza Elizabeth Machado Louro chamará todas as partes e proferirá a sentença, estabelecendo a dosimetria das penas.

O que disseram Monique e Jairinho

Após nove dias de depoimentos de testemunhas de acusação e defesa, Monique Medeiros e Jairinho foram ouvidos pelo Tribunal do Júri em interrogatórios que ocuparam praticamente toda a reta final da fase de instrução do julgamento.

Monique prestou depoimento por cerca de sete horas e afirmou que hoje acredita que Jairinho foi o responsável pelas agressões que resultaram na morte de Henry. A mãe do menino sustentou que viveu um relacionamento marcado por manipulação psicológica e disse que ignorou sinais de violência contra o filho porque confiava no então companheiro. Em um dos momentos mais marcantes, Monique afirmou que mudou sua compreensão sobre o caso ao longo dos anos de investigação. "Hoje eu creio que foi o Jairo", disse. A ré também relatou episódios que, segundo ela, passaram a fazer sentido apenas após a morte de Henry, incluindo relatos do filho sobre "abraços fortes", mudanças de comportamento e situações minimizadas por ela na época.

Já Jairinho dedicou grande parte de seu interrogatório, que começou às 17h e foi até meia-noite, a negar qualquer agressão contra Henry e a contestar os principais elementos da acusação. O ex-vereador afirmou que as acusações de ex-companheiras e testemunhas são baseadas em interpretações equivocadas e negou ter praticado violência contra mulheres ou crianças. "Tudo que começaram a falar de mim, tudo é especulação. Não tem nada." Ao comentar o episódio de 12 de fevereiro de 2021, apontado como uma das agressões, Jairinho afirmou que nunca machucou a criança e questionou a interpretação da babá Thayná. "Eu não fiz isso com o Henry." Sobre a madrugada de 8 de março de 2021, disse que Henry já chegou passando mal, com vômito e dificuldade para dormir, e que acreditou inicialmente que o menino estivesse engasgado ou sofrendo broncoaspiração, por isso o levou ao hospital. "Se fosse meu filho, eu faria a mesma coisa." Jairinho contestou ainda a tese de que tentou impedir o encaminhamento do corpo ao IML e sustentou que os ferimentos apontados não foram causados por ele.

Os interrogatórios evidenciaram o conflito entre as versões dos dois réus. Enquanto Monique atribuiu a Jairinho a responsabilidade pelas agressões, o ex-vereador negou participação e disse ser vítima de acusações falsas. As teses serão retomadas nos debates finais, etapa que antecede a votação dos jurados.

22 testemunhas ouvidas

Antes do interrogatório dos réus, 22 testemunhas foram ouvidas: 13 de acusação e 9 pelas defesas. Cinco testemunhas foram dispensadas pelos advogados. Desde o início da sessão, em 25 de maio, testemunhas de acusação, peritos, policiais, profissionais de saúde, ex-companheiras de Jairinho e pessoas que conviveram com o casal apresentaram versões e informações que ajudam a reconstruir os últimos meses de vida da criança.

Veja as testemunhas ouvidas até segunda-feira:

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  • Ministério Público e Assistência de acusação: Edson Henrique Damasceno, Ana Carolina Lemos Medeiros De Caldas, Rafael Bernardon Ribeiro, Maria Cristina De Souza Azevedo, Kaylane De Oliveira Duarte Pereira, Natasha De Oliveira Machado, Debora Mello Saraiva, Leila Rosângela De Souza Mattos, Tereza Cristina Dos Santos, Paloma Dos Santos Meireles, Luiz Carlos Leal Prestes, Luiz Airton Saavedra, Leniel Borel.
  • Defesa de Monique: Bryan Medeiros, Ari Mamede, Márcia Eduarda Andrade Oliveira, Thayna De Oliveira Ferreira (babá).
  • Defesa de Jairinho: Jairo Souza Santos, Fernanda Abidu Figueiredo, Miriam Santos Rabelo Costa, Leonardo Huber Tauil, Jefferson Evangelista Corrêa.