Justiça marca júri de suspeito de matar enfermeira com 34 facadas em Fortaleza
Júri de suspeito de matar enfermeira com 34 facadas é marcado

A Justiça do Ceará decretou a prisão preventiva de Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, de 26 anos, suspeito de matar a enfermeira Clarissa Costa Gomes, de 31 anos, com 34 facadas em julho de 2025, em Fortaleza. O julgamento pelo Tribunal do Júri foi marcado para o próximo dia 13 de julho.

Crime ocorreu após tentativa de término

Segundo a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), Clarissa tentou terminar o relacionamento no dia do crime, o que não foi aceito por Matheus. Inconformado, ele a agrediu fisicamente e, em seguida, se apossou de uma faca que a mãe da vítima guardava na geladeira, desferindo diversos golpes. O MP pediu que ele seja julgado por feminicídio qualificado, com aumento de pena por motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Clarissa foi morta na casa onde morava com a mãe, no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza. No momento do crime, ela estava sozinha com o agressor. Antes de ser morta, ela enviou uma mensagem de 'SOS' para uma amiga, que inicialmente pensou que se tratava de uma dúvida sobre uma reunião online de trabalho que haviam tido pouco antes.

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Relacionamento conturbado e ciúmes

O casal se conheceu na igreja e estava junto desde outubro de 2023. Amigos relataram que Clarissa era o primeiro namorado de Matheus e que, nos últimos meses, ela vinha pensando em terminar o relacionamento devido ao desgaste, à ociosidade e a episódios de grosseria do companheiro. Matheus, técnico em gestão ambiental pelo IFCE, não trabalhava na área e foi demitido de um emprego em hospital particular, arranjado por Clarissa, por grosseria com clientes. Ele também atuou como motorista de aplicativo, mas vendeu a moto. Clarissa chegou a preparar um currículo para ele, que conseguiu emprego em uma empresa de energia solar, mas faltava repetidamente e foi demitido após ser preso.

Em conversas com amigas, Clarissa reclamava que Matheus faltava ao trabalho e que ela precisava buscá-lo de carro, o que a desgastava. Ela também tornou privado seu perfil em redes sociais para evitar discussões por ciúmes. Em junho de 2025, ela disse a uma amiga que pensava em terminar o namoro; foi morta no mês seguinte.

Detalhes do crime

No dia 9 de julho, Clarissa e Matheus chegaram à casa dela por volta de 13h30. Às 14h, ela participou de uma reunião online de trabalho, sem ligar câmera ou áudio, comunicando-se apenas por escrito. Ao fim, por volta das 15h, enviou a mensagem de 'SOS'. Vizinhos ouviram gritos de socorro e pancadas por volta de 15h20, mas não identificaram a origem. Matheus usou uma faca da casa para golpear Clarissa 34 vezes. Depois, tomou banho, trocou de roupa e deixou a residência por volta de 15h30, levando a chave do portão interno.

Vizinhos viram Matheus sair e deixar o portão da rua aberto, mas o portão interno estava trancado. Chamaram por Clarissa, sem resposta. Um irmão de Matheus chegou com a chave que o suspeito levara. Ao entrar, encontraram sangue em vários cômodos e acionaram Samu e Polícia. A morte foi constatada no local. Matheus foi preso na mesma noite, na saída do condomínio da mãe.

Vítima era enfermeira dedicada

Formada em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Clarissa trabalhava em dois grandes hospitais públicos de Fortaleza: o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e o Hospital Dr. César Cals. Especializada em neonatologia, estava prestes a iniciar novo trabalho no Hospital Universitário do Ceará (HUC) e na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC). Amigos a descreveram como estudiosa, correta, pacata, inteligente, simpática e amável. Uma colega de trabalho afirmou: 'Ela era uma pessoa tranquila, acolhedora, de convivência muito leve. Profissional dedicada, comprometida, inteligente e competente. Reservada, jamais imaginávamos que algo do tipo poderia acontecer'. A equipe hospitalar ficou em choque com o crime.

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