Uma tentativa de estupro sofrida pela nutricionista Jéssica Soares, de 35 anos, dentro do próprio apartamento em Barueri, na Grande São Paulo, gerou grande repercussão esta semana. A vítima relatou que precisou lutar por cerca de 13 minutos contra o invasor para sobreviver. O suspeito, Wellington de Oliveira Santos, de 36 anos, foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. O caso ganhou ainda mais atenção porque ele já havia sido condenado anteriormente por estupro e outros crimes violentos. A investigação ainda tenta esclarecer pontos importantes, como a motivação do crime, se a vítima foi monitorada previamente e se há outras possíveis vítimas.
O que aconteceu?
Segundo a investigação, o caso ocorreu na manhã de 23 de maio em um condomínio de alto padrão de Barueri. Imagens de câmeras de segurança mostram Wellington entrando no condomínio às 8h22, aproveitando a saída de um morador. Em seguida, ele passou pela recepção sem ser abordado e chegou ao 18º andar, onde morava a nutricionista. Naquele momento, Jéssica estava sozinha no apartamento. O namorado havia saído mais cedo para um compromisso e deixou a porta apenas encostada porque pretendia retornar em seguida. A nutricionista contou que estava dormindo quando ouviu alguém entrando na residência. Inicialmente, acreditou que fosse o namorado, mas percebeu que se tratava de um desconhecido. Segundo o relato da vítima, o homem colocou a mão sobre sua boca, simulou estar armado e a atacou. Ela afirma que o agressor a jogou na cama, tentou retirar suas roupas e impedir que ela gritasse por socorro.
Como a vítima conseguiu escapar?
Jéssica reagiu ao ataque utilizando técnicas que havia aprendido em aulas de boxe, muay thai, jiu-jítsu e defesa pessoal. Durante a luta corporal, ela afirma ter conseguido aplicar golpes, imobilizar o agressor com as pernas e até usar um mata-leão para tentar se desvencilhar dele. Em um dos momentos mais críticos, a nutricionista usou uma técnica de elevação pélvica para tirar o homem de cima dela. Segundo a vítima, o agressor continuou tentando sufocá-la e a derrubou da escada quando ela tentou fugir. Já exausta, ela fingiu parar de reagir para recuperar o fôlego. Quando percebeu uma oportunidade, desferiu um chute que lançou o homem contra a parede e conseguiu escapar. As câmeras mostram que o suspeito entrou no apartamento às 8h37. Treze minutos depois, às 8h50, Jéssica aparece correndo pelo corredor do prédio em busca de ajuda.
Como o suspeito foi preso?
Após deixar o apartamento, a vítima começou a bater nas portas dos vizinhos pedindo socorro. Uma moradora foi a primeira a abrir a porta e ajudar a nutricionista. Outros moradores saíram dos apartamentos e conseguiram conter o suspeito até a chegada da Guarda Civil Municipal. O caso foi registrado como tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri.
Quem é o suspeito?
Wellington de Oliveira Santos estava em livramento condicional quando foi preso. Documentos obtidos mostram que ele foi condenado em 2017 a 11 anos e 4 meses de prisão por crimes cometidos em 2015: estupro, roubo com uso de arma, restrição da liberdade da vítima, violação de domicílio e constrangimento ilegal. Ele passou para o regime semiaberto em 2020 e obteve livramento condicional em julho de 2021. O histórico criminal também inclui um caso de violência doméstica registrado em 2025, que resultou na concessão de medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha.
O que diz o suspeito?
Durante a audiência de custódia, Wellington negou ter tentado estuprar ou agredir a nutricionista. Ele afirmou que havia ingerido bebida alcoólica, que entrou no prédio para se proteger da chuva e que escolheu o andar aleatoriamente. Segundo sua versão, ele apenas entrou em um apartamento cuja porta estava destrancada. O suspeito alegou ainda que não conhecia a vítima e pediu ao juiz que não fosse mantido preso. O magistrado, no entanto, converteu a prisão em flagrante em preventiva, afirmando que a medida era necessária especialmente para preservar a vítima.
O que ainda falta esclarecer?
Apesar da prisão do suspeito, a investigação segue em andamento para saber se a vítima foi escolhida previamente. Segundo Jéssica, durante o ataque o homem afirmou que a acompanhava havia algum tempo. A Polícia Civil apreendeu o celular do suspeito e busca identificar mensagens, contatos e conversas que possam indicar se ele monitorava a rotina da nutricionista. Outra linha de investigação busca descobrir se Wellington contou com ajuda de terceiros ou recebeu informações sobre a vítima. A análise do celular também pretende responder essa questão.
Existem outras vítimas?
Após o caso ganhar repercussão, Jéssica afirmou ter sido procurada por pelo menos três mulheres que relataram situações semelhantes envolvendo o suspeito. Até o momento, porém, a Polícia Civil não confirmou oficialmente se Wellington está sendo investigado por outros casos ou se esses relatos resultaram em novos inquéritos.
Houve falha na segurança do condomínio?
A defesa da nutricionista sustenta que o condomínio deve ser responsabilizado por falhas de segurança. As imagens mostram que o suspeito entrou no prédio sem autorização, passou pela recepção e acessou os elevadores sem ser impedido. A advogada da vítima afirma que também não houve reação imediata da administração do condomínio após os pedidos de socorro, e que os moradores foram os responsáveis por acionar as autoridades.
Como está a vítima?
Após o ataque, Jéssica deixou o apartamento onde ocorreu o crime e passou a fazer acompanhamento psicológico. Ela relata dificuldades para dormir e diz que precisa de medicação para conseguir descansar. A nutricionista afirma que pretende continuar vivendo em São Paulo, mas admite que a sensação de segurança foi profundamente afetada após o episódio. "Eu sei que briguei para sobreviver", afirmou.
O que diz a defesa de Wellington
O g1 tentou localizar a defesa de Wellington, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.



