Instrutores indiciados por morte em rope jump em Limeira
Instrutores indiciados por morte em rope jump em Limeira

Três instrutores foram indiciados pela Polícia Civil nesta segunda-feira (22) por homicídio com dolo eventual pela morte de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, que foi lançada sem corda durante um salto de rope jump e caiu de uma altura de 40 metros no dia 13 de junho em Limeira (SP). Os depoimentos obtidos pela EPTV, afiliada da TV Globo, revelam detalhes sobre a atuação do grupo, as reações após o acidente, a suposta tentativa de fuga e o sumiço da câmera que estava com a vítima.

Como a empresa se organizava

O evento de rope jump não era realizado por uma empresa formal, mas por um grupo que se reuniu para realizar os saltos. A maioria dos integrantes vive em São Paulo, mas Evelyne dos Santos Gonçalves é do Rio de Janeiro e Vitor de Freitas Gonçalves é do Rio Grande do Sul. Em depoimento, Evelyne contou que conheceu os outros integrantes enquanto saltava pelo Brasil com outras equipes. As funções eram divididas da seguinte forma: cadastros e mídias (Evelyne, referida como “CEO” do grupo), equipagem (Lucas), salto (Maicon Fernandes Cintra e Luis Felipe Feliciano Egoroff), segurança e suporte (Caio), recepção na base (João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, ou “Alemão”) e organização geral (Gabriel Barros Martins). A divulgação era feita por Instagram e WhatsApp. O valor do salto era de R$ 180, com opção de filmagem por R$ 110 adicionais. A Polícia Civil concluiu que a atividade tinha como objetivo gerar lucro e buscar destaque nas redes sociais.

Como o evento estava organizado

Na manhã da tragédia, chovia e o evento, previsto para começar às 6h, só fez o primeiro salto às 8h. Havia mais de 80 participantes aguardando, e o cronograma estava com atraso significativo. Participantes relataram desorganização, aglomeração próxima à plataforma e saltos rápidos demais. Segundo a Polícia Civil, a sobrecarga de operação e o excesso de pessoas na área de risco podem ter aumentado a probabilidade de falhas. Dias antes, Evelyne enviou áudio sugerindo estratégias para “viralizar” os vídeos nas redes sociais.

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Como foi o salto de Maria Eduarda

Maria Eduarda escolheu saltar em “aviãozinho”, uma manobra em que a pessoa é erguida acima da cabeça dos instrutores e arremessada da ponte. Maicon, Luis Felipe e Vitor foram os responsáveis pelo salto. Não havia definição sobre quem faria a checagem das cordas, mas Maicon afirmou que em “99% das vezes” era responsabilidade de Luis. A conexão deveria ser feita no peitoral da vítima. A falta da corda era “muito visível”, segundo o delegado e os investigados. Maicon disse: “Não consigo entender em que momento eu não vi a corda. Simplesmente não consigo entender”. Há registros de que o alerta “a corda” foi proferido antes do arremesso, sem que os responsáveis interrompessem o procedimento.

Primeiros socorros e tentativa de fuga

Após a queda, testemunhas relataram que os instrutores “ficaram pálidos” e entraram em choque. Caio desceu de rapel até a vítima e acompanhou seu pulso até a chegada de enfermeiras que estavam na fila. As enfermeiras Raquel e Tainara prestaram socorro, realizando massagem cardíaca e protegendo o corpo com um guarda-chuva. Quanto à fuga, a Polícia Civil e testemunhas afirmaram que integrantes do grupo tiraram o uniforme e trocaram de roupa, tentando sair do local. Dois deles, João e Gabriel, teriam conseguido. Os investigados negaram a tentativa de fuga.

Sumiço da câmera GoPro e exclusão da conta

Outro ponto de conflito é o destino da câmera que Maria Eduarda portava. Todos afirmaram não saber do equipamento, mas testemunhas Edgar e Roberto disseram à polícia que viram João retirar a câmera do braço da vítima. A Polícia Civil suspeita que João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva tenha pegado o objeto. Além disso, a conta do Instagram do grupo “Entre Cordas” foi excluída logo após o evento. Evelyne, responsável pela gestão das redes, teria excluído a conta para sumir com provas digitais, segundo a polícia.

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Os três instrutores presos – Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves – foram indiciados por homicídio com dolo eventual. No último sábado (20), mais três pessoas da equipe foram presas suspeitas de apagar conteúdos digitais e desaparecer com a câmera. João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, Evelyne dos Santos Gonçalves e Gabriel Barros Martins serão investigados em um segundo inquérito.