Incêndio nas Travinhas: crianças na UTI e famílias em barracas
Incêndio nas Travinhas: crianças na UTI e famílias em barracas

Duas crianças de 7 e 13 anos permanecem internadas na UTI do Hospital Municipal do Campo Limpo após o incêndio que destruiu cerca de 150 moradias nas Travinhas, região próxima à comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, no dia 18 de junho. As crianças, que já tinham diagnóstico de asma, sofreram intoxicação por fumaça. Segundo a tia, Fernanda Ferreira, ambas estão estáveis e devem ser transferidas para um quarto em breve.

Famílias dormem em barracas improvisadas há cinco dias

Os moradores atingidos estão há cinco dias vivendo em barracas improvisadas nas calçadas da Rua do Símbolo. Relatam frio intenso, falta de abrigo e ausência de respostas concretas do poder público. Mulheres lavam louça em baldes, crianças escolhem roupas em sacos de doação e o cheiro de madeira queimada ainda persiste. Maria Aparecida, de 58 anos, que vivia na comunidade há 14 anos, agora dorme em um colchão na calçada com o marido. Ela cozinha cerca de 10 horas por dia para aproximadamente 80 pessoas, usando um fogão cedido por um vizinho. “Eu cozinho, fico cansada, mas jamais deixo minha comunidade na mão”, afirma.

Auxílio emergencial de R$ 1.000 e recusa de acolhimento em Guaianases

A Prefeitura de São Paulo informou que disponibilizou um auxílio emergencial de R$ 1.000, pago em parcela única, para as famílias afetadas. Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, o benefício será liberado após cadastro e entrega de documentação, contemplando as 46 famílias identificadas. No entanto, a oferta de acolhimento em uma casa em Guaianases, na Zona Leste, foi recusada pelos moradores. Gilmara Oliveira, líder comunitária de 30 anos, explicou que a localização é muito distante para quem trabalha na Zona Sul. Algumas famílias foram para casas de parentes, mas muitas improvisaram barracas na calçada. A prefeitura forneceu apenas colchões.

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Falta de abrigo e frio intenso: crianças dormem ao relento

Gilmara destaca que as crianças estão dormindo no frio extremo. “As crianças estão dormindo aqui, no frio extremo. Está muito frio”, relata. As famílias dividem um único banheiro cedido por um morador. Até o momento, a prefeitura não se posicionou sobre o auxílio-aluguel. “Não falaram nada. E nós já estamos pensando em reconstruir nossos barracos, porque no frio não dá pra ficar”, diz. ONGs de Paraisópolis têm levado alimentos, roupas e cobertores, mas sem local para armazenar as doações, a situação é precária.

Posição da Prefeitura e assistência social

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, todas as famílias foram cadastradas. Seis delas aceitaram acolhimento emergencial e foram encaminhadas para serviços da rede socioassistencial. Os atingidos seguem acompanhados pelas equipes do Cras Vila Andrade. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania informou que forneceu água e alimentação e mantém equipes no local para levantamento de demandas. Já a Secretaria Municipal da Saúde disse que, até o momento, não há registro de pacientes atendidos em decorrência do incêndio, embora as duas crianças estejam na UTI.

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