Rio das Pedras, a segunda maior favela do Brasil e berço histórico das milícias no Rio de Janeiro, tornou-se o epicentro de uma guerra violenta entre o Comando Vermelho (CV) e grupos paramilitares. O conflito, que se intensificou a partir de junho de 2026, agora inclui o uso de drones armados com bombas, elevando o terror entre os moradores.
Disputa territorial e uso de drones
Segundo relatos de moradores e fontes policiais, o CV vem utilizando drones para lançar explosivos contra posições da milícia, que controlava a região há décadas. A facção criminosa intensificou os ataques após a deserção de ex-paramilitares, que passaram a integrar o tráfico. Em resposta, a milícia busca reforços do Terceiro Comando Puro (TCP), outra facção rival do CV.
O confronto tem transformado a rotina dos cerca de 100 mil moradores de Rio das Pedras. "A gente não sabe se vai sair vivo de casa. Os tiroteios começam a qualquer hora e os drones aparecem do nada", relatou uma moradora que preferiu não se identificar.
Impacto na população
Além dos tiroteios constantes, a população sofre com extorsões e ameaças de ambos os lados. A milícia, que antes cobrava taxas de segurança, agora vê seu domínio ameaçado. O CV, por sua vez, tenta impor o controle do tráfico de drogas na região. Dados da Polícia Civil indicam que, só em junho, houve mais de 30 mortes violentas na comunidade, um aumento de 200% em relação ao mês anterior.
Reação do governo
O governo do estado anunciou planos de reocupação da área com forças especiais, mas até o momento nenhuma ação concreta foi implementada. Especialistas apontam que a falta de políticas públicas efetivas contribui para o avanço do crime organizado. "Enquanto o Estado não ocupar esses territórios, a guerra entre facções vai continuar ceifando vidas", afirmou o sociólogo Luiz Antônio Machado, da UFRJ.
A situação em Rio das Pedras reflete um padrão mais amplo de disputas entre tráfico e milícia no Rio de Janeiro, que têm se expandido para outras comunidades da cidade.



