Uma enfermeira de 26 anos denunciou ter sido vítima de importunação sexual dentro do Hospital São Lourenço, no Sul de Minas Gerais. O caso ocorreu durante o plantão do último sábado, e o médico José Fábio Capozzi, de 48 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar, mas acabou liberado após audiência de custódia menos de um dia depois.
Relato da vítima
Bianca Caroline de Carvalho afirma que o médico a chamou para um consultório. Ao entrar, ele trancou a porta, desabotoou a calça, segurou sua nuca e tentou beijá-la. Ela pediu que parasse, e ele abriu a porta, permitindo que ela saísse. "Eu fiquei com muito medo, fiquei com medo de perder o emprego, fiquei com medo de ser exposta, ser julgada (...). Eu me senti totalmente humilhada, me senti suja", relatou.
Bianca disse que o comportamento do médico não foi isolado. Durante o plantão, ele a abraçou e deu um beijo próximo à boca, além de fazer comentários como "nossa, essa loira está disputada". Ela afirma que o desrespeito já vinha ocorrendo ao longo do turno.
Versão do suspeito
No boletim de ocorrência, José Fábio Capozzi apresentou outra versão. Ele afirmou que a enfermeira entrou no consultório para tratar de trabalho, que perguntou sobre uma cesta de flores recebida por ela e que apenas pediu um abraço, que teria sido negado. Segundo ele, os dois saíram normalmente do local. Por meio do advogado, Capozzi negou as acusações e afirmou que sua inocência será comprovada ao longo da investigação.
Outros relatos
O caso trouxe à tona o depoimento de uma ex-funcionária do hospital, que afirma ter passado por situação semelhante com outro profissional da unidade. Ela contou que o médico se deitou sobre ela, segurou-a e passou a mão em sua perna enquanto ela descansava. "Ali eu estava descansando, estava meio dormindo, era 1h40 da manhã e aí eu consegui empurrar ele. Joguei a mão na porta e consegui abrir e sair", disse. Ela afirmou que sofreu pressão psicológica e pediu demissão, enquanto o médico continuou atuando no hospital.
Posicionamento das instituições
O Hospital São Lourenço informou que acompanha o caso e não compactua com assédio ou violência. Disse ainda que não identificou na ouvidoria a denúncia da ex-funcionária. O Conselho Regional de Enfermagem recebeu a denúncia e acompanha a investigação, com previsão de visita técnica. O Conselho Regional de Medicina afirmou que apura todos os casos sob sigilo. O Consórcio Intermunicipal de Saúde, responsável pelo SAMU, informou que não havia denúncias anteriores contra o médico. A Prefeitura de Lambari disse que ele foi demitido após a repercussão e abriu apuração interna.
Apelo da vítima
A enfermeira decidiu denunciar apesar do medo. "Eu espero que de fato ele seja penalizado pelo que ele fez, eu espero que outras mulheres não silenciem o que aconteceu. É muito difícil, é muito difícil a exposição, é muito difícil você aguentar o julgamento das pessoas. E respeito não é um favor, é o mínimo, segurança no ambiente de trabalho é o mínimo e eu não senti, eu não sinto preparada para voltar para lá", disse Bianca.



