A Polícia Civil do Rio Grande do Sul agendou para a próxima semana o depoimento das duas amigas que aparecem em imagens paradas na ciclofaixa momentos antes da morte de um ciclista em Passo Fundo, no Norte do estado. Elas são investigadas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Investigação em andamento
De acordo com a delegada Daniela Mineto, todas as oitivas ocorrerão na semana que vem. Além das duas mulheres, serão ouvidas duas testemunhas oculares do fato. O motorista já foi ouvido e não deve prestar novo depoimento, a menos que novos fatos sejam revelados nas oitivas, ainda segundo a delegada.
A polícia também aguarda a conclusão do laudo pericial por parte do Instituto-Geral de Perícia (IGP) para dar andamento no caso. Novos vídeos mostram o acidente e os momentos seguintes ao atropelamento.
Entenda o caso
O acidente aconteceu no início do mês, na Avenida Brasil Oeste, no bairro Boqueirão, em Passo Fundo. Conforme a investigação, o ciclista Cleocir Jorge dos Santos, de 54 anos, trafegava pela área destinada às bicicletas quando teria colidido com as duas mulheres, que caminhavam e tiravam fotos no local. Com o impacto, ele teria se desequilibrado, caído na pista e sido atropelado por um carro.
Diante disso, as duas passaram à condição de investigadas. Elas tiravam fotos para publicar nas redes sociais, segundo a Polícia Civil. As identidades não foram divulgadas, mas, segundo a polícia, elas moram em Carazinho, cidade vizinha. A delegada explicou que as amigas "agiram de forma totalmente inadequada".
Relato da família
Para familiares de Cleocir, situações de risco na ciclovia já eram frequentes. “Ele sempre comentou que tinha problemas com pedestres na ciclovia. Um dia quase caiu, no outro quase atropelou. Era uma constante”, afirma o sobrinho Rafael Iarchescki.
Infraestrutura cicloviária
O município conta com mais de 37 km de malha cicloviária, distribuídos entre avenidas e parques. Em espaços mais recentes, há separação entre ciclovia e caminhódromo, permitindo o uso distinto por ciclistas e pedestres. Já em trechos mais antigos, a divisão nem sempre existe ou é bem definida, o que aumenta o risco de acidentes.
A sinalização, em muitos pontos, tenta orientar os usuários, com placas que indicam espaços exclusivos ou compartilhados. Segundo a prefeitura, quando não há caminhódromo, o pedestre deve utilizar a calçada. “Hoje temos ciclofaixas que são exclusivas para ciclistas, não pode ter pedestre ali. Nesses casos onde não tem caminhódromo, o pedestre precisa usar o passeio público”, explica o secretário municipal de Segurança Pública, Tadeu Trindade.
Convivência e conscientização
Cleocir era conhecido por manter uma rotina ativa e utilizava a bicicleta com frequência, principalmente para cuidar da saúde. Para familiares e para quem utiliza a ciclovia diariamente, além da dor, fica o pedido por mais conscientização no uso dos espaços.



