A Prefeitura de Campinas informou, nesta sexta-feira (19), que afastou duas cuidadoras após uma mãe denunciar que seu filho autista teve a virilha depilada, além de ter a fralda colocada do avesso e amarrada com fita adesiva, em uma escola da rede municipal. O caso ocorreu na Emef Professor Vicente Ráo, no bairro Parque Industrial, na manhã do dia 1º de junho. A polícia investiga o ocorrido como possível injúria e submissão de adolescente a vexame ou constrangimento.
O adolescente, de 13 anos, tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), não fala e necessita de apoio integral. A mãe relatou à EPTV, afiliada da TV Globo, que percebeu o ocorrido ao voltar para casa e preparar o filho para o banho. “A fralda estava virada do avesso, com algodão para o lado de fora, e ele estava amarrado com fita adesiva, umas três voltas, que precisei cortar com a tesoura, de tão forte que estava”, disse a mãe.
Depilação, fita adesiva e fralda do avesso
A mãe contou que percebeu que algo estava errado quando chegou em casa e iniciou a rotina de cuidados com o filho. Após cortar a fita adesiva e retirar a fralda, notou que a virilha do menino havia sido depilada. “O banho é antes de ir para a escola. Eu faço a higiene antes de ir, e ele chegou totalmente diferente, nítido. [...] Era visível. Só de tirar a fralda já me assustei de ver como estava”, relatou.
A mãe afirmou que não recebeu orientação ou pedido de autorização para procedimentos desse tipo. “Nunca ninguém me falou nada, não foi mencionado, não foi pedido nada”, disse. “Fiquei muito assustada [...] é uma mistura de sentimentos, de culpa e de impotência. Como assim mexeram no meu filho? É muito íntimo”, desabafou.
Ela registrou boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial de Campinas no dia seguinte, 2 de junho. O advogado da família, Jorge Veiga, informou que foi solicitado exame de corpo de delito. “O exame foi pedido para verificar efetivamente o que aconteceu, se foi um crime de cunho sexual ou se foi um crime de maus-tratos ou constrangimento ilegal”, explicou.
A mãe também relatou que o filho já havia sofrido agressão verbal de uma professora na mesma escola. Na ocasião, o adolescente tentou abraçar a professora e acabou esbarrando nos óculos dela. “O óculos caiu, ela xingou ele... Ela xingou ele de demônio, mas ficou como processo administrativo, e eu confiei na escola”, relembrou.
O que diz a prefeitura
A Secretaria Municipal de Educação informou que afastou as duas cuidadoras assim que soube do caso. As funcionárias eram de uma empresa terceirizada e foram substituídas. A pasta afirmou que não orienta nem autoriza procedimentos dessa natureza e que está colaborando com as investigações.
Segundo a secretaria, não há imagens do incidente por se tratar de uma área reservada. A prefeitura destacou que o aluno foi acolhido pela escola e que a família recebeu apoio. Confira a nota na íntegra:
“Sobre a denúncia envolvendo um aluno da Emef Professor Vicente Rao, a Secretaria Municipal de Educação de Campinas informa que, assim que tomou conhecimento do caso, determinou o imediato afastamento das duas profissionais apontadas como envolvidas na ocorrência. As funcionárias, vinculadas à empresa terceirizada responsável pelo serviço de cuidadoria, foram substituídas na unidade escolar. A Secretaria esclarece que não orienta nem autoriza qualquer procedimento dessa natureza. Os fatos foram comunicados às autoridades competentes pela empresa e estão sendo apurados. A Secretaria está colaborando integralmente com as investigações e permanece à disposição para prestar todas as informações necessárias. Em relação às imagens de monitoramento, a Secretaria informa que não há registro do local onde teria ocorrido o fato, por se tratar de uma área reservada. Além disso, eventuais gravações somente podem ser disponibilizadas mediante solicitação formal das autoridades responsáveis pela investigação. A escola acolheu o aluno, prestou apoio à família e reafirma seu compromisso com a proteção, o respeito e o cuidado de todos os estudantes da rede municipal de ensino. A empresa presta serviço desde 2024. Neste momento há 725 funcionários nas escolas e nenhum incidente foi registrado anteriormente. Vale destacar que a Pasta fiscaliza rigorosamente a qualidade dos serviços. Sobre a ocorrência registrada em 2023, a Secretaria informa que o caso foi apurado à época por meio de sindicância administrativa, que resultou numa advertência à professora. Os profissionais da rede municipal realizam periodicamente ações de prevenção à violência nas unidades escolares. Há um protocolo de atendimento integrado entre comunidade escolar, forças de segurança e equipamentos municipais, com foco na proteção das pessoas e na prevenção de situações de violência no ambiente escolar.”



