O adolescente de 17 anos que foi espancado por um lutador em um bairro nobre de Goiânia disse que sente muitas dores e não está conseguindo dormir desde o caso. Rafael Gomes Pereira, de 43 anos, foi preso em flagrante após as agressões, mas foi solto com o cumprimento de medidas cautelares.
Relato da vítima
“Está doendo muito ainda, estou à base de remédio e, além de fisicamente, mentalmente... Eu não estou conseguindo dormir, não estou conseguindo raciocinar muito, está muito difícil”, disse o menino em um vídeo enviado pela mãe ao g1. O g1 não localizou a defesa do lutador até a última atualização desta reportagem.
Detalhes das agressões
As agressões aconteceram na quadra da Praça das Artes, no Jardim Goiás, no dia 29 de maio. Segundo Vivian Cunha, mãe do adolescente, ele e outros amigos estavam jogando uma partida de futebol quando Rafael teria perguntado por que o menino estava olhando para ele e começado as agressões em seguida.
Em um vídeo enviado pela mãe do menino ao g1, ele conta que sente dores no pescoço, costelas, braços, pernas e que não está conseguindo ir à escola. “Está muito sensível, só de falar já dói. Não estou conseguindo ir para o colégio, pois minhas pernas, meus braços, minha costela, onde ele me chutou, está muito dolorido”, desabafou.
O menino ainda dá detalhes das agressões, dizendo que recebeu socos, chutes, que foi estrangulado e que Rafael disse que ia matá-lo.
O que diz a mãe
Segundo a mãe do adolescente, os garotos estavam no meio de uma partida de futebol na quadra, quando a bola saiu. Momento em que Rafael teria olhado para o garoto e gritado: “Por que você está me olhando?”. O adolescente diz que não respondeu à pergunta. “O Rafael já começou a chutar ele e deu um murro no nariz do meu filho”, conta ela.
Depois disso, o lutador que diz ser faixa preta de Jiu-Jitsu e Muay Thai teria começado a apertar o pescoço do adolescente, que chegou a perder a consciência. “Ele disse que foi ficando sem respirar, sufocado e sentiu como se estivesse dentro de um mar negro afundando”, contou Vivian.
Testemunhas e prisão
Testemunhas relatam que somente depois que o adolescente estava inconsciente, quando uma mulher que parecia ser companheira do lutador pediu que ele soltasse o menino, é que Rafael foi embora. O lutador foi preso em flagrante, mas foi solto no dia seguinte. Em audiência de custódia, a Justiça determinou que ele precisava usar tornozeleira eletrônica e manter pelo menos 300 metros de distância do adolescente.
Descumprimento das medidas
Nesta segunda-feira (1º), Vivian denunciou o descumprimento das medidas cautelares depois que Rafael foi flagrado filmando a família da janela de um apartamento com vista para a praça. Ela conta que estava na Praça das Artes com os dois filhos quando percebeu duas pessoas filmando a quadra. A servidora pública afirma que Rafael se mudou para um local mais próximo da praça após as agressões.
“Ele foi solto e mudou para um apartamento mais próximo ainda da praça, que tem uma visão ampla da quadra, em total descumprimento à ordem judicial. [...] Os vizinhos viram e me enviaram fotos dele e do filho filmando as pessoas e, inclusive, eu e os meus filhos”, disse a servidora pública.
Ação policial
Vivian chamou a polícia, já que uma decisão judicial proíbe o lutador se aproximar das vítimas, dos locais onde eles moram e espaços que frequentam, como a quadra da Praça das Artes. No Boletim de Ocorrência, os policiais militares constataram que Rafael estava descumprindo a determinação. Rafael foi informado pela Polícia Penal de que não poderia ficar naquele imóvel, segundo Vivian. Ele teria deixado o apartamento por volta das 21h.
De acordo com Vivian, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do investigado pelo descumprimento das medidas cautelares, mas o juiz de plantão informou que o juiz natural do caso era o mais adequado para julgar o pedido.



