A visão central, responsável pela nitidez e detalhes, começa a falhar em muitos idosos, comprometendo atividades como ler, reconhecer rostos e dirigir. A principal causa é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), que afeta a mácula, região central da retina. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a DMRI é a terceira maior causa de cegueira no mundo, atingindo cerca de 200 milhões de pessoas, com projeção de 300 milhões até 2040.
O que é a degeneração macular?
A DMRI é uma doença progressiva que danifica as células da mácula, levando à perda gradual da visão central. Existem dois tipos: a seca (90% dos casos) e a úmida (mais agressiva). Na forma seca, há acúmulo de drusas (depósitos) e afinamento da retina; na úmida, vasos sanguíneos anormais crescem sob a retina, vazando líquido e sangue. Fatores de risco incluem idade acima de 60 anos, tabagismo, histórico familiar e exposição solar excessiva.
Sintomas e diagnóstico precoce
Os primeiros sinais são dificuldade para ler letras pequenas, necessidade de luz mais forte e distorção de linhas retas. O diagnóstico é feito por exame de fundo de olho e tomografia de coerência óptica (OCT). A oftalmologista Dra. Ana Paula Canto, do Hospital São Paulo, alerta: “A DMRI não tem cura, mas o diagnóstico precoce pode retardar a progressão e preservar a visão por mais tempo”.
Tratamentos disponíveis
Para a DMRI seca, não há tratamento específico, mas suplementos com vitaminas C, E, zinco e luteína podem reduzir o risco de progressão. Já a DMRI úmida pode ser tratada com injeções intravítreas de antiangiogênicos, que inibem o crescimento dos vasos anormais. Estudos mostram que 60% dos pacientes tratados mantêm ou melhoram a visão após dois anos. Terapias com laser e fotodinâmica também são opções em casos selecionados.
Impacto na qualidade de vida
A perda da visão central afeta diretamente a independência do idoso. Atividades cotidianas como cozinhar, tomar medicamentos e interagir socialmente tornam-se desafiadoras. A reabilitação visual com uso de lupas, softwares de ampliação e treinamento de visão periférica pode ajudar. Além disso, o suporte psicológico é fundamental para lidar com o impacto emocional.
Prevenção e cuidados
Embora o envelhecimento seja inevitável, hábitos saudáveis podem reduzir o risco: dieta rica em antioxidantes, proteção solar com óculos UV, controle de pressão arterial e colesterol, e exames oftalmológicos regulares a partir dos 50 anos. A Dra. Canto recomenda: “Não espere os sintomas aparecerem. A prevenção é o melhor caminho”.



