Saneamento básico no Brasil: déficit afeta saúde e economia nas cidades
Saneamento básico: déficit afeta saúde e economia

Mais do que uma questão de saúde pública, o déficit de saneamento básico no Brasil afeta o cotidiano de milhões de brasileiros de formas que vão muito além do que os números oficiais conseguem mostrar. O engenheiro Diego Borges, especialista no setor, alerta que água tratada e esgoto coletado ainda são privilégios no país, com consequências profundas para a vida nas cidades.

Impactos na saúde e na economia

Segundo Borges, a falta de saneamento está diretamente ligada a doenças como diarreia, dengue e leptospirose, que sobrecarregam o sistema de saúde e reduzem a produtividade dos trabalhadores. “O Brasil ainda convive com indicadores que poderiam ser muito melhores. Cada real investido em saneamento gera uma economia de até quatro reais em saúde”, afirma o engenheiro.

Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicam que cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada e mais de 100 milhões vivem sem coleta de esgoto. Esses números, no entanto, não capturam a desigualdade regional: enquanto o Sudeste tem 90% de cobertura, o Norte mal chega a 30%.

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Consequências urbanas e sociais

Além da saúde, a ausência de saneamento compromete o desenvolvimento urbano. Áreas sem infraestrutura tendem a ter menor valorização imobiliária, menos investimentos comerciais e maior vulnerabilidade a enchentes. “A cidade que não trata seu esgoto está jogando contra o próprio futuro”, ressalta Borges. A poluição de rios e lençóis freáticos também afeta o abastecimento de água e o meio ambiente, criando um ciclo vicioso de degradação.

Desafios e soluções

O novo marco legal do saneamento, sancionado em 2020, prevê a universalização dos serviços até 2033. No entanto, Borges aponta que o ritmo de investimentos ainda é insuficiente. “É preciso mais parcerias público-privadas e planejamento de longo prazo. A tecnologia já existe, o que falta é vontade política e recursos”, analisa. Ele defende a modernização das operadoras e a educação da população para reduzir perdas e desperdícios.

Para o engenheiro, o saneamento não é apenas uma questão técnica, mas um direito básico que impacta diretamente a dignidade e a cidadania. “Enquanto houver brasileiros sem acesso a água tratada e esgoto, estaremos falhando como sociedade”, conclui.

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