Antes do primeiro colo, da saída da maternidade e do próprio nascimento, a gravidez já envolve uma série de decisões relacionadas à saúde da mãe e do bebê. Durante esse período, a atenção costuma se voltar ao desenvolvimento da criança, mas o pré-natal envolve diferentes aspectos do cuidado. Além dos exames de rotina, alimentação e hábitos, vacinação também faz parte desse acompanhamento ao longo da gestação.
Entre essas escolhas, a imunização materna integra o acompanhamento pré-natal e também as estratégias voltadas à saúde da mãe e do bebê desde a gestação. Gravidez e primeiros meses de vida pautaram o evento “O Primeiro Presente: escolhas que protegem desde o começo”, realizado em 23 de maio, em São Paulo, pelo Estadão, com patrocínio da Pfizer. O encontro reuniu especialistas para discutir dúvidas e orientações que costumam surgir nessa fase.
Quando o cuidado vai além dos exames
No painel de Perguntas e Respostas participaram a mediadora Carla Fiorito, a ginecologista Sue Yazaki Sun, o pediatra Renato Kfouri, a ginecologista e diretora médica da Pfizer Brasil Adriana Ribeiro e o pediatra Daniel Jarovsky.
A vacinação faz parte do acompanhamento pré-natal e pode contribuir para reduzir hospitalizações, complicações e mortalidade infantil. Para Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil, CRM-SP 121868, esse cuidado está ligado à proteção oferecida ainda nos primeiros momentos da vida da criança. “Quem imuniza o bebê não é a vacina diretamente. É a mãe. Os anticorpos produzidos por ela atravessam a placenta. Esse é o primeiro presente que ela oferece ao filho ainda durante a gestação.”
O pré-natal também inclui orientações sobre quais vacinas fazem parte desse período. Pelo Calendário da Gestante, estão entre as recomendações para gestantes imunizantes contra Hepatite B, Covid-19, Influenza (gripe), VSR e dTpa/dT, utilizada na prevenção de difteria, tétano e coqueluche. Além da vacinação, o pré-natal reúne outras orientações relacionadas à saúde da mãe e da criança. Sue Yazaki Sun, ginecologista e obstetra, lembrou que esse período também envolve hábitos e decisões que acompanham a família mesmo após o nascimento. “Muitas escolhas feitas durante a gestação podem influenciar não apenas a saúde do bebê nos primeiros anos, mas também repercutir ao longo da vida.”
Depois do nascimento, surgem outras perguntas. Calendário vacinal, reações esperadas após a vacinação e a quantidade de doses previstas nos primeiros meses podem ser preocupações frequentes entre as famílias.
Os primeiros meses e o calendário vacinal
Os especialistas citam que entre as dúvidas mais comuns, está a preocupação com a quantidade de vacinas previstas nos primeiros meses de vida. “Muitos pais perguntam: ‘São tantas vacinas nos primeiros meses, não posso dividir?’. Mas o calendário vacinal da criança foi construído justamente para atender às necessidades da criança na fase em que ela está mais vulnerável”, explicou Daniel Jarovski, pediatra e infectologista, CRM-SP 140688.
Renato Kfouri, pediatra infectologista, CRM-SP 59492, explicou que a definição dessas datas segue estudos que avaliam eficácia, segurança e a combinação entre diferentes vacinas. “Quando falamos em vacinação aos 2, 4 e 6 meses, por exemplo, essas datas não foram definidas de maneira aleatória. Existe muito estudo por trás da construção do calendário. São avaliadas eficácia, segurança, efeitos adversos e a combinação entre diferentes vacinas.”
Nos primeiros meses, resfriados, bronquiolite e outras infecções respiratórias costumam fazer parte das preocupações de muitas famílias. Nesse período, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento, e algumas infecções podem evoluir com maior gravidade.
O desafio das infecções respiratórias no início da vida
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite em crianças pequenas, está entre os principais desafios relacionados à saúde infantil nos primeiros anos de vida. Bebês pequenos estão entre os grupos mais vulneráveis às formas graves da doença. Globalmente, o VSR está associado a milhões de hospitalizações e mais de 100 mil mortes anuais em crianças menores de cinco anos. Cerca de metade desses óbitos ocorre em bebês com menos de seis meses. “Existe a percepção de que apenas prematuros ou crianças com doenças prévias desenvolvem quadros graves, mas isso não é necessariamente verdade”, afirmou Kfouri.
Atualmente o Sistema Único de Saúde já oferece opções de prevenção contra o Vírus Sincicial Respiratório, conforme recomendado pelo Programa Nacional de Imunização (PNI). Para Adriana, antecipar essas orientações durante a gravidez ajuda a família a chegar aos primeiros meses da criança com mais informação. “Entender os riscos e conhecer as opções de prevenção disponíveis são os primeiros passos para nos protegermos das doenças respiratórias. Embora a gestação seja um momento crucial para esse cuidado, é importante que a população compreenda que a atenção ao calendário vacinal vale para todas as fases da vida.”



