A Novo Nordisk apresentou nova proposta à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para incluir a semaglutida, princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy, no Sistema Único de Saúde. A empresa oferece desconto de 59% sobre os preços de mercado, com valores que variam de R$ 396,88 (doses de 0,25 mg a 1,0 mg) a R$ 764,64 (dose de 2,4 mg).
Proposta anterior foi rejeitada
Em agosto de 2025, a Conitec rejeitou pedido semelhante devido ao impacto financeiro estimado em R$ 3,7 bilhões em cinco anos. Agora, o cenário mudou: a patente da semaglutida expirou, novos fabricantes entraram no mercado e os preços caíram. A nova proposta também restringe o público-alvo a pacientes com obesidade que já sofreram infarto, grupo de maior risco cardiovascular.
Estudo SELECT embasa a proposta
A Novo Nordisk cita o estudo SELECT, com mais de 17 mil participantes em 41 países, que mostrou redução de 20% no risco combinado de morte cardiovascular, infarto e AVC em pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular estabelecida. Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos da empresa no Brasil, afirmou: “Estamos propondo mais uma solução para a saúde pública, com potencial de ampliar o acesso, gerar eficiência e contribuir para a sustentabilidade do sistema. Essa intervenção médica é crucial para evitar que o paciente infartado volte a ocupar um leito de UTI.”
Custos da obesidade no SUS
Dados da Novo Nordisk indicam que cerca de 60 milhões de brasileiros têm obesidade. Atualmente, o SUS não oferece medicamentos específicos para a condição, sendo a cirurgia bariátrica a principal alternativa, com longas filas. O relatório da Conitec sobre a análise anterior apontou que um AVC custa R$ 57.910,20 ao sistema, uma revascularização do miocárdio sai por R$ 41.185,34 e a diálise no primeiro ano ultrapassa R$ 72 mil.
Ministério da Saúde fará estudo prático
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou à GloboNews que pacientes com obesidade em fila para bariátrica participarão de um estudo com semaglutida no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, ainda neste ano. “Vamos analisar se conseguimos colocar o paciente em um patamar em que ele consiga fazer a cirurgia ou até que não precise mais dela, o que representa uma redução de gastos para o próprio sistema de saúde”, afirmou Padilha. A Novo Nordisk já desenvolve projetos de acesso com o SUS, incluindo parcerias no Grupo Hospitalar Conceição e na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.



