Uma menina de 11 anos, Valentina Nobre Lima, está internada em estado grave em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Distrito Federal desde a última sexta-feira (12), após ser picada por um escorpião dentro de casa, no Riacho Fundo I. Segundo a família, a criança calçava o tênis para ir à escola quando foi ferroada. Devido à intensidade da dor, ela demorou para conseguir tirar o calçado e acabou sendo picada outras duas vezes pelo mesmo animal.
De acordo com a irmã da vítima, Eduarda Nobre, Valentina permanecia na UTI do hospital particular Santa Lúcia até a noite desta terça-feira (16). Familiares passaram a tarde em oração pela recuperação da menina.
Peregrinação por hospitais e descaso
Eduarda relata que, ao perceber o ataque do escorpião, a mãe de Valentina pediu ajuda a vizinhos e levou a filha ao grupamento do Corpo de Bombeiros no Núcleo Bandeirante. Lá, segundo o relato, os militares "nem tiraram ela do carro, literalmente um descaso".
A família seguiu com Valentina para o Hospital Regional do Guará, por volta das 13h. No local, a criança recebeu seis ampolas do soro antiescorpiônico. Valentina estava "estável e acordada", mas a equipe médica recomendou a internação em UTI para monitoramento. Como não havia leitos disponíveis no Guará, a família decidiu levar a criança a um hospital particular.
A transferência, no entanto, só ocorreu quase oito horas depois. A família conta que Valentina chegou a ser colocada em uma ambulância, mas foi retirada do veículo a pedido de um médico que queria dar prioridade a outra criança. Valentina só chegou ao novo hospital às 21h. Horas depois, segundo a irmã, o quadro piorou. A criança teve três paradas cardíacas durante o procedimento de intubação na madrugada, foi reanimada e permanece na UTI em estado grave.
Em nota ao g1, sem citar informações específicas do caso, a Secretaria de Saúde do DF afirmou que as transferências de pacientes "seguem protocolos assistenciais e critérios técnicos de regulação, com avaliação contínua das condições clínicas e da urgência de cada caso". "Dessa forma, os casos classificados como mais graves têm prioridade no encaminhamento e na utilização dos recursos de transporte e assistência especializada", diz a pasta. O g1 pediu posicionamento do Corpo de Bombeiros do DF, mas não obteve retorno até a publicação.
Casos aumentaram no DF
Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), foram registrados 1.974 acidentes envolvendo escorpiões neste ano, sendo 32 deles de classificação grave. No mesmo período do ano passado foram notificados 1.855 casos, o que representa um aumento de 6,4% no número de ocorrências em 2026.
As orientações do governo em caso de picadas de escorpião são: lavar o local da picada com água e sabão; elevar a parte do corpo afetada para evitar que o veneno se espalhe rapidamente; procurar atendimento médico imediatamente; informar qual animal picou a vítima para que o tratamento seja mais eficaz. Se possível e seguro, é indicado tirar uma foto do animal.
Soro não é indicado para todos os pacientes
O soro antiescorpiônico é indicado apenas nos casos mais graves, que envolvem picadas em crianças, idosos ou adultos extremamente debilitados ou desnutridos. O soro está disponível nos seguintes hospitais da rede pública do DF: Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib); Hospital Regional da Asa Norte (Hran); Hospital Regional do Guará (HRGU); Hospital Regional de Brazlândia (HRBz); Hospital da Região Leste (Paranoá); Hospital Regional de Ceilândia (HRC); Hospital Regional do Gama (HRG); Hospital Regional de Santa Maria (HRSM); Hospital Regional de Planaltina (HRPL); Hospital Regional de Sobradinho (HRS); Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Até o momento, Estrutural, São Sebastião e Planaltina foram as regiões que registraram mais acidentes desse tipo no ano. Isso pode variar conforme as condições ambientais e climáticas favoráveis a essas ocorrências.



