Kerolay Reis, personal trainer de 34 anos, está vendendo doces em uma campanha de arrecadação para levar sua filha Maria Elis, de 2 anos, a uma avaliação médica na Rede Sarah de Neurorreabilitação, no Rio de Janeiro. A criança nasceu com encefalopatia crônica não evolutiva, conhecida como paralisia cerebral, e foi selecionada para atendimento na instituição especializada em neurorreabilitação e ortopedia após inscrição feita pela mãe.
Detalhes da viagem
A consulta está marcada para 27 de julho, mas Kerolay planeja chegar ao Rio dois dias antes para que Maria Elis se adapte ao local e evite imprevistos. Embora a rede ofereça consultas e acompanhamento gratuitos, todas as outras despesas da viagem, como passagens, hospedagem, alimentação e transporte, precisam ser custeadas pela família. As passagens aéreas de ida e volta custam cerca de R$ 2,4 mil por pessoa, enquanto a hospedagem mais barata para 15 dias é de aproximadamente R$ 3,5 mil.
Descoberta da rede Sarah
Em abril, Kerolay criou um grupo de mensagens com outras mães em situações semelhantes. Foi durante uma pesquisa na internet sobre leis e formas de ajudar que ela descobriu a Rede Sarah. A inscrição foi feita em 1º de maio, e em 13 de maio veio a resposta positiva. “Quando recebi a resposta, foi uma esperança enorme. Eles oferecem a consulta e o atendimento, mas passagens, hospedagem, alimentação e transporte ficam por nossa conta”, relata.
Diagnóstico de Maria Elis
Maria Elis nasceu prematura extrema, com 28 semanas de gestação, em 25 de dezembro de 2023. Ela passou mais de 90 dias internada, sendo 54 dias na UTI, 30 dias entubada e 15 dias com suporte de oxigênio. Aos seis meses, começou a ter crises convulsivas, e aos oito meses veio o diagnóstico de paralisia cerebral. “Iniciamos uma corrida para descobrir o que estava acontecendo. Desde então, são consultas, terapias e muitas idas ao pronto-socorro”, conta Kerolay.
A falta de regularidade nos atendimentos especializados no Acre é uma das maiores dificuldades. “Aqui no estado, não há assiduidade nas consultas e terapias. Cada minuto importa porque, a cada crise, ela pode perder marcos do desenvolvimento”, explica.
Campanha de arrecadação
Para arrecadar fundos, Kerolay criou uma vaquinha online e começou a vender brigadeiros, bolos de pote e brownies nos fins de semana, dando origem à campanha Doces da Maria Elis. A iniciativa conta com ajuda de familiares e amigos voluntários. O primeiro fim de semana de vendas foi em 7 de junho. “Minha cunhada faz doces e perguntei se ela toparia ajudar. Ela aceitou na hora. Amigas também se ofereceram. Vamos continuar até o último fim de semana antes da viagem”, afirma.
Kerolay também estuda realizar uma feijoada beneficente no início de julho para reforçar a arrecadação. Além das despesas financeiras, a viagem representa um desafio por ser a primeira vez que sairá do estado sozinha com a filha. “É tudo novo para mim. Minha rotina é só eu e ela. Tem bolsa, cadeira de rodas e todos os cuidados. Queria levar minha outra filha para me ajudar, mas só será possível se arrecadarmos um valor maior”, conclui.



