O Google, por meio de sua empresa de biotecnologia Verily, está prestes a receber autorização para liberar 32 milhões de mosquitos machos na Califórnia, nos Estados Unidos. O projeto tem como objetivo reduzir a população do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya. A estratégia utiliza a bactéria Wolbachia, que infecta os mosquitos e impede o desenvolvimento de ovos quando eles cruzam com fêmeas selvagens.
Como funciona o método
Os mosquitos machos liberados são infectados com a bactéria Wolbachia, que não causa danos aos humanos. Quando esses machos acasalam com fêmeas não infectadas, os ovos resultantes não eclodem, reduzindo gradualmente a população de mosquitos. Testes anteriores realizados pela Verily mostraram uma redução de até 99% na população de Aedes aegypti em áreas tratadas.
Autorização da EPA
A Verily busca uma licença da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) para realizar a liberação em larga escala. A decisão pode sair nesta sexta-feira. Se aprovado, o projeto será implementado em regiões específicas da Califórnia, onde a incidência de dengue tem aumentado nos últimos anos.
Impacto na saúde pública
A dengue é uma doença viral que afeta milhões de pessoas anualmente, especialmente em regiões tropicais. Nos EUA, surtos têm se tornado mais frequentes devido às mudanças climáticas. A abordagem com Wolbachia é considerada uma alternativa sustentável aos inseticidas, pois não polui o meio ambiente e atinge especificamente o mosquito vetor.
O projeto do Google representa um avanço significativo no controle biológico de pragas. Se bem-sucedido, poderá ser replicado em outros países, incluindo o Brasil, onde a dengue é endêmica. A expectativa é que a tecnologia ajude a reduzir a transmissão de doenças sem afetar outros insetos benéficos.



