Doenças neurológicas raras podem imitar depressão
Doenças neurológicas raras imitam depressão

Nem sempre o que parece ser depressão é, de fato, um transtorno psiquiátrico. Doenças neurológicas raras podem começar de forma silenciosa, com sintomas que imitam a depressão, como apatia, falta de energia, isolamento social e alterações de humor. O alerta é de neurologistas e psiquiatras, que ressaltam a importância do diagnóstico diferencial para evitar atrasos no tratamento.

Quando a depressão esconde outra doença

De acordo com o neurologista Dr. Carlos Alberto de Oliveira, do Hospital das Clínicas de São Paulo, “cerca de 10% a 15% dos pacientes que chegam ao consultório com queixas de depressão na verdade têm uma doença neurológica subjacente”. Entre as condições que podem se manifestar dessa forma estão a esclerose múltipla, a doença de Parkinson de início precoce, a demência frontotemporal, a coreia de Huntington e a encefalite autoimune.

Essas doenças afetam áreas do cérebro responsáveis pelo humor, motivação e comportamento. “O paciente pode apresentar sintomas psiquiátricos meses ou até anos antes dos sinais neurológicos clássicos, como tremores, rigidez ou perda de memória”, explica Oliveira.

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Sinais de alerta para o diagnóstico diferencial

Os médicos destacam alguns sinais que devem acender o alerta para a possibilidade de uma doença neurológica rara:

  • Início tardio da depressão: após os 40 anos, sem histórico prévio de transtornos psiquiátricos.
  • Resistência ao tratamento: depressão que não melhora com antidepressivos ou psicoterapia.
  • Sintomas atípicos: apatia intensa, falta de iniciativa, alterações de comportamento ou perda de habilidades sociais.
  • Sinais neurológicos sutis: como leve tremor, rigidez, alterações na fala ou na marcha.
  • Histórico familiar: de doenças neurológicas hereditárias, como Huntington ou Alzheimer de início precoce.

Impacto do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce é crucial para o manejo adequado dessas doenças. “Quando tratamos apenas a depressão, perdemos a oportunidade de intervir na doença de base, que pode ter tratamentos específicos capazes de retardar sua progressão”, afirma a psiquiatra Dra. Fernanda Santos, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

Ela ressalta que, em alguns casos, como na encefalite autoimune, o tratamento precoce com imunossupressores pode levar à remissão completa dos sintomas. Já em doenças neurodegenerativas, a intervenção precoce pode melhorar a qualidade de vida e prolongar a independência do paciente.

Como proceder diante da suspeita

Os especialistas recomendam que, diante de uma depressão atípica ou refratária, o paciente seja avaliado por um neurologista. Exames como ressonância magnética do crânio, análise do líquido cefalorraquidiano e testes genéticos podem ajudar a identificar a causa subjacente.

“O psiquiatra deve estar atento a esses sinais e não hesitar em encaminhar o paciente para uma avaliação neurológica”, conclui a Dra. Fernanda. “Muitas vezes, o tratamento correto depende de um diagnóstico preciso, e isso pode fazer toda a diferença na vida do paciente.”

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