Doença renal pode levar ao transplante em pacientes jovens
Doença renal pode levar ao transplante em jovens

A doença renal crônica (DRC) tem se tornado uma preocupação crescente entre a população jovem no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia, cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem de algum grau de disfunção renal, e a incidência em pessoas com menos de 40 anos aumentou 30% na última década. O avanço silencioso da doença, muitas vezes assintomática em estágios iniciais, faz com que o diagnóstico ocorra tardiamente, quando o transplante renal já é a única alternativa viável.

Causas e fatores de risco entre os jovens

As principais causas da DRC em jovens incluem hipertensão arterial não controlada, diabetes tipo 2 – cada vez mais comum nessa faixa etária –, glomerulonefrites e doenças hereditárias, como a doença renal policística. O nefrologista Dr. Carlos Almeida, do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica: “O estilo de vida sedentário, a alimentação rica em sódio e gorduras e a obesidade têm contribuído para o aumento de casos de hipertensão e diabetes entre jovens, que são os principais fatores de risco para a doença renal.”

Sintomas e diagnóstico precoce

Nos estágios iniciais, a DRC pode não apresentar sintomas claros. Quando surgem, os sinais incluem cansaço excessivo, inchaço nas pernas e tornozelos, alterações na urina (espuma, cor escura ou sangue), pressão alta e dificuldade de concentração. O diagnóstico precoce é feito por exames simples, como dosagem de creatinina no sangue e exame de urina. “A recomendação é que pessoas com histórico familiar de doença renal, hipertensos ou diabéticos realizem exames anuais a partir dos 18 anos”, alerta o Dr. Almeida.

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Tratamento e transplante renal

O tratamento da DRC varia conforme o estágio. Em fases iniciais, controle da pressão arterial, dieta com restrição de sal e proteínas, e uso de medicamentos podem retardar a progressão. Quando a doença atinge o estágio terminal (taxa de filtração glomerular inferior a 15 mL/min), a diálise ou o transplante renal tornam-se necessários. O transplante é considerado a melhor opção para pacientes jovens, pois oferece maior qualidade de vida e sobrevida em comparação com a diálise. Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes, em 2025 foram realizados 6.200 transplantes renais no país, mas a fila de espera ainda conta com mais de 40 mil pacientes. O tempo médio de espera por um rim de doador falecido é de 3 a 5 anos.

Prevenção e conscientização

Para reduzir o impacto da doença renal em jovens, especialistas defendem campanhas de conscientização sobre hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, controle do peso e evitar o consumo excessivo de sal e álcool. “A prevenção ainda é o melhor remédio. Pequenas mudanças no estilo de vida podem evitar que o rim chegue à falência”, conclui o Dr. Almeida. A Sociedade Brasileira de Nefrologia promove anualmente a campanha ‘Março Vermelho’ para alertar sobre a saúde renal.

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