A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta quarta-feira, 3, que a Mineração Bom Jesus está promovendo o recolhimento voluntário de um lote da água mineral natural sem gás da marca Crystal, pertencente à Coca-Cola Company. A decisão ocorreu após a detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto. O mesmo microrganismo foi identificado anteriormente em produtos da Ypê.
Detalhes do lote recolhido
O lote em questão, identificado como LZ1 VAL200127 3 P 200126, foi fabricado em Luziânia (GO) e é composto por 374,4 mil garrafas de 500 ml. A produção ocorreu em 20 de janeiro de 2026, com validade até 20 de janeiro de 2027. Do total, 230.443 unidades foram distribuídas no Distrito Federal, 66.768 em municípios de Goiás, 75.750 no interior de São Paulo e 1.439 no Tocantins.
O que é a Pseudomonas aeruginosa?
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria encontrada naturalmente na água, no solo e em superfícies úmidas. Segundo Cristiane Rodrigues Guzzo, professora do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), a bactéria é amplamente distribuída na natureza. Ela explica que a contaminação geralmente está associada a falhas em medidas de produção ou controle de qualidade, devido à presença comum do microrganismo em diversos ambientes.
Para a maioria das pessoas saudáveis, a ingestão oral de pequenas quantidades da bactéria dificilmente causa problemas, pois o organismo consegue reagir adequadamente. No entanto, grupos vulneráveis, como pacientes com fibrose cística, queimaduras extensas, câncer, imunossupressão, transplantados, recém-nascidos, idosos frágeis e pessoas com cateteres ou em ventilação mecânica, correm maior risco. Nesses casos, a bactéria pode provocar pneumonia hospitalar grave, infecções da corrente sanguínea e sepse. O médico Luis Fernando Correia, em coluna publicada no Pulsa, destaca que a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria oportunista com resistência natural a vários antibióticos.
Resfriar a água elimina a bactéria?
Cristiane Rodrigues Guzzo esclarece que a agressividade da bactéria independe da via de entrada no organismo, seja oral ou por contato com a pele. Ela alerta que o consumo da água do lote contaminado não é seguro em nenhuma circunstância. Além disso, resfriar ou congelar as garrafas não elimina o microrganismo. “Deixar a água na geladeira achando que isso vai eliminar a bactéria não funciona. Não há como garantir que ela não sobreviva ao processo de congelamento”, afirma a professora.



