Um motorista flagrou o momento em que um meteoro bólido surgiu no céu de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, na manhã de segunda-feira (22). O vídeo foi gravado por uma câmera acoplada ao veículo que passava pela Rodovia Raposo Tavares (SP-270), próximo das 6h40.
O que é um bólido?
Especialistas ouvidos pelo g1 explicaram que o fenômeno é um bólido, um tipo de meteoro de brilho intenso. “O brilho intenso e a coloração vista na câmera são causados principalmente pelo superaquecimento e ionização dos gases da nossa própria atmosfera”, descreve Vitor Rafael Borges Filgueira, historiador e vice-presidente da Associação de Astronomia de Mariápolis (SP).
O professor de física Rodrigo Raffa, responsável pelo Clube de Astronomia Centauri, de Itapetininga (SP), reforça: “Bólido é a versão gigante e espetacular — brilha mais que qualquer estrela ou planeta, chegando a iluminar o céu por um instante, como demonstra o vídeo.”
Origem do meteoro
Segundo Raffa, o meteoro avistado pode ser um dos “visitantes” das Bootídeas de Junho, uma chuva de meteoros que acontece nesta época. “Ela é feita dos restos de material espacial deixados pelo cometa 7P/Pons-Winnecke.” No entanto, para confirmar se o meteoro faz parte dessa chuva, é necessário que os especialistas tenham mais registros para fazer uma triangulação e encontrar a radiante.
Vitor Rafael destaca que o registro de um bólido no interior paulista é considerado incomum, em comparação com casos já registrados em capitais como São Paulo e Fortaleza. “Mesmo não estando na região do céu onde a chuva de meteoros tem seu foco (a constelação), é comum que muitos registros sejam feitos em outras áreas do céu. Isso ocorre porque os meteoros podem cruzar grandes porções da abóbada celeste, aumentando a quantidade de aparições visíveis durante o período da chuva”, pontua.
Diferença entre meteoro, meteoroide e meteorito
Rodrigo Raffa explica que os meteoros têm origem em pequenos detritos espaciais, que podem ser fragmentos de asteroides, partículas deixadas por cometas e, em alguns casos, até lixo espacial produzido pelo ser humano. Enquanto esses fragmentos viajam pelo espaço, são chamados de meteoroides. “Ao entrarem na atmosfera terrestre e produzirem o rastro luminoso devido ao intenso aquecimento, passam a ser chamados de meteoros, pois esse brilho é um fenômeno atmosférico.”
Quando parte de um meteoroide sobrevive à passagem pela atmosfera e atinge a superfície da Terra, recebe o nome de meteorito. “Vale destacar que o termo meteorito é utilizado apenas para materiais de origem natural, não para lixo espacial. Também é importante lembrar que a Terra é constantemente bombardeada por pequenos meteoroides. A maioria deles é tão pequena que se desintegra completamente na atmosfera, sem oferecer qualquer risco”, completa.
Velocidade, brilho e som
O estudante de Física da Unesp de Presidente Prudente, Gustavo Vieira, destaca que os meteoros são pedaços de rochas do espaço que entram na atmosfera com uma “velocidade absurda”. “O atrito e a pressão contra o ar geram tanto calor que a rocha simplesmente queima e cria aquele clarão no céu”, afirma.
Para identificar o fenômeno e não confundir com um avião ou satélite, existem características principais. Velocidade extrema e imprevisível: os meteoros aparecem de surpresa, “rasgam” o céu e duram poucos segundos. Brilho e cores: diferentemente dos aviões, que têm luzes de navegação piscando, o meteoro tem um brilho único e rápido. “Ele pode até brilhar em cores diferentes (esverdeado, amarelado, branco, etc.) dependendo do metal presente na rocha que está queimando e das condições atmosféricas”, aponta Gustavo. Já os satélites não emitem luz própria; eles apenas refletem a luz do Sol. Formato e rastro: alguns meteoros deixam uma cauda brilhante resultante da queima, que some logo em seguida. Som: aviões fazem barulho constante de motor, mas “satélites e a esmagadora maioria dos meteoros são eventos completamente silenciosos para quem observa do chão”, afirma.



