Adrian Belew: supergrupo Beat celebra fase inovadora do King Crimson
Adrian Belew: supergrupo Beat celebra King Crimson dos anos 80

Adrian Belew, guitarrista conhecido por seu trabalho inventivo com o King Crimson nos anos 80, está à frente de um novo projeto: o supergrupo Beat. A banda, que conta com Tony Levin, Steve Vai e Danny Carey, fará um show único no Brasil em 9 de maio, no Espaço Unimed, em São Paulo. Em entrevista, Belew detalhou a formação do grupo, a relação com David Bowie e a influência da música brasileira.

Como surgiu o Beat?

Belew explicou que a ideia inicial não era formar um supergrupo, mas celebrar os 40 anos de sua entrada no King Crimson e os discos Discipline, Beat e Three of a Perfect Pair. Ele contactou Robert Fripp, que recusou, mas deu sua bênção. Steve Vai, fã declarado daquela fase, aceitou na hora. A pandemia atrasou o projeto, e depois foi necessário esperar as agendas de Tony Levin e Danny Carey. O processo total levou cinco anos.

Turnê mundial e planos futuros

Após 65 shows nos EUA e Canadá, o grupo decidiu expandir a turnê. A América do Sul foi escolhida para abril/maio, com possibilidade de Ásia e Austrália em setembro/outubro. Para 2026, estão previstos Europa e festivais. Belew adiantou que preparam um disco ao vivo e um Blu-ray, mas não há planos para músicas inéditas.

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A revolução sonora dos anos 80

A fase do King Crimson nos anos 80 foi marcada pela inovação tecnológica. Pela primeira vez, a banda tinha dois americanos (Belew e o baterista Bill Bruford) e dois ingleses. Eles usaram sintetizadores de guitarra, bateria eletrônica e o Stick de Tony Levin. "Queríamos reinventar a roda", disse Belew. "Tínhamos quatro personalidades fortes e tecnologia que ninguém tinha ouvido antes."

Trabalho com David Bowie

Belew trabalhou com David Bowie na turnê de Stage (1978) e no álbum Lodger (1979). Ele destacou a curiosidade insaciável e o humor autodepreciativo de Bowie. "Ele não gostava de ficar parado. Era uma verdadeira superestrela, amigo dos Beatles, e me ajudou a entender aquele mundo."

Graceland e Paul Simon

Belew foi o primeiro músico não africano a tocar em Graceland (1986), indicado por Laurie Anderson. Ele conta que Paul Simon é muito disciplinado e sabe exatamente o que quer. "Ele não pede criatividade, quer que você toque as notas certas. Foi uma experiência incrível." Em The Rhythm of the Saints, Belew percebeu a influência brasileira na música de Simon.

Oscar com a Pixar

Belew compôs a trilha do curta Piper: Descobrindo o Mundo (2016), vencedor do Oscar. Sem diálogos, a música precisava contar a história. Ele visitou a Pixar várias vezes e descobriu que os animadores já ouviam seus discos solo. "Foi uma das minhas experiências favoritas. Foi a primeira vez que ganharam um Oscar por um curta em dez anos."

Serviço

Beat - Tony Levin, Steve Vai, Adrian Belew e Danny Carey
Quando: 9 de maio de 2025
Onde: Espaço Unimed (R. Tagipuru, 795)
Ingressos: eventim.com
Preços: R$ 275 a R$ 700

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