Desde o dia 31 de maio, uma filmagem de luzes estranhas em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, tem gerado intenso debate nas redes sociais sobre a possível aparição de um Objeto Voador Não Identificado (OVNI). No entanto, o assunto não se limitou ao fenômeno: parte do público começou a discutir a infraestrutura da zona rural de Itambezinho, onde o influenciador Mayk Leão mora e fez o registro que se tornou viral.
Condições precárias na zona rural
Além das luzes, os seguidores de Mayk voltaram sua atenção para a necessidade de desenvolvimento social da comunidade. O acesso ao local é feito principalmente por estradas de terra. Na casa do influenciador, não há água encanada nem esgoto. Parte da região também carece de rede de telefonia; na residência de Mayk, por exemplo, não há sinal de celular, apenas internet via Wi-Fi. Ele vive sozinho com quase 300 animais resgatados.
Desde as filmagens, o influenciador saltou de 40 mil para dois milhões de seguidores, tornando-se o centro das atenções. Os novos seguidores se sensibilizaram e passaram a exigir melhorias da prefeitura de Campo Largo, do prefeito Maurício Rivabem (PSD) e da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) nas redes sociais.
Cobranças nas redes sociais
Por dias, seguidores lotaram os comentários da prefeitura e do perfil do prefeito. As cobranças foram principalmente sobre saneamento básico. A administração municipal chegou a responder algumas pessoas, afirmando que a responsabilidade era da Sanepar, o que também gerou críticas à empresa.
Após ganhar popularidade, Mayk usou as redes para falar da falta de desenvolvimento na região, inflamando ainda mais as críticas ao poder público. Em um comentário, um seguidor ironizou: "Lá no interior nada, né?". Outro pontuou que "o pessoal da zona rural também merece boa qualidade de vida". Até a publicação desta reportagem, os comentários da prefeitura estavam fechados, impossibilitando novas interações.
Respostas da Sanepar e da prefeitura
A Sanepar informou que seus contratos de concessão abrangem exclusivamente as áreas urbanas. Nas zonas rurais, atua por meio do programa Sanepar Rural, no qual fornece estudos técnicos e materiais, enquanto o município implanta os sistemas de abastecimento. A companhia destacou que investiu cerca de R$ 270 mil em Itambezinho, em parceria com a prefeitura, para implementar mais de 11 mil metros de rede de distribuição, atendendo cerca de 102 famílias, além de dois reservatórios de 20 mil litros de água e uma bomba de automatização do poço. A Sanepar também afirmou que sempre manteve os comentários fechados no Instagram para direcionar o público ao serviço de atendimento ao cliente.
A prefeitura de Campo Largo, por sua vez, declarou que mais de 100 famílias na região contam com água encanada, graças a uma parceria com a Sanepar iniciada em 2019. A administração negou que a região seja desabastecida, mas reconheceu que alguns moradores, por diversos motivos, ainda não têm acesso. Sobre o fechamento dos comentários, a prefeitura afirmou que não os fechou e que acredita que palavras de baixo calão possam ter causado uma restrição temporária pela plataforma.
A prefeitura também destacou que, em Campo Largo, 88,2% da população recebe água potável por rede geral de distribuição, índice próximo à média estadual de 89,5% e superior à nacional de 84,1%.
O caso OVNI
O avistamento de luzes estranhas em Campo Largo reacendeu o debate sobre OVNIs no Paraná. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que não detectou objetos desconhecidos na região. Enquanto isso, o influenciador Mayk Leão continua a usar sua plataforma para chamar atenção para as necessidades da comunidade rural, mostrando que o fenômeno extraterrestre, real ou não, trouxe à tona questões urgentes de infraestrutura e qualidade de vida.



