Em Ribeirão Preto, número de lares com uma só pessoa dobra em 12 anos
Lares com uma pessoa dobram em Ribeirão Preto em 12 anos

Em Ribeirão Preto (SP), a opção de viver sozinho deixou de ser uma etapa passageira e se consolidou como um estilo de vida definitivo para muitos moradores. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o número de residências com apenas um ocupante saltou de 27.808 em 2010 para 56.364 em 2022, um crescimento impressionante de 102,7% em doze anos. Esse avanço acompanha uma tendência nacional, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que projeta que o total de brasileiros vivendo sós passou de 7,5 milhões para 15,6 milhões. Atualmente, cerca de 19,7% dos lares no país — quase dois em cada dez — são ocupados por uma única pessoa.

Mudanças sociais e profissionais impulsionam o fenômeno

Para o sociólogo Wlaumir Souza, esse movimento crescente reflete diretamente as novas dinâmicas de trabalho, a transformação de valores e a busca por autonomia. A estrutura familiar tradicional, aos poucos, dá lugar a novas estratégias de sobrevivência e liberdade individual. "O fenômeno migratório influencia a procura por emprego no Brasil. Ribeirão Preto, por exemplo, é um polo de atração. Os projetos profissionais se sobrepuseram às famílias. Ao mesmo tempo, as pessoas estão mais livres hoje, e formar família já não é uma imposição social como antigamente, pelo menos naquele modelo nuclear tradicional com pai, mãe e filhos morando juntos", analisa o especialista.

A ascensão do coliving

Com a mudança no perfil demográfico e o aumento das moradias unipessoais, o mercado imobiliário precisou se adaptar. Casas e apartamentos espaçosos agora dividem espaço com projetos voltados exclusivamente para quem mora só, mas deseja manter a interação social. É nesse contexto que surge o coliving, um modelo habitacional que une estúdios privativos compactos a amplas áreas compartilhadas, como coworkings, lounges, academias, piscinas e lavanderias.

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Marcelo Freire Monteiro, CEO de uma construtora local, explica que o conceito vai muito além de reduzir a metragem do imóvel. O principal objetivo é evitar o isolamento de quem escolhe a independência. "É um prédio onde as unidades geralmente são compactas e existem áreas comuns bem mais elaboradas. O diferencial do coliving é que precisa haver um gestor dessa comunidade para estimular a convivência entre os moradores", detalha o diretor.

O empresário ressalta que as transformações sociais continuarão alimentando a demanda por moradias inteligentes e flexíveis. "Está chegando a primeira geração sem primos, que são filhos de filhos únicos. É nítida a mudança demográfica. Às vezes a pessoa se separa, quer sair da casa dos pais ou mudou de emprego para outra cidade e precisa de um lugar até se adaptar. Tudo isso impulsiona essa demanda, que no Brasil está começando, mas em outros lugares já está muito mais avançada", completa Monteiro.

Praticidade e novas conexões

O próprio empreendimento administrado pela construtora de Monteiro exemplifica essa nova fase do mercado em Ribeirão Preto. Localizado no bairro Nova Aliança Sul, o edifício tem 12 andares e oferece 43 estúdios de um dormitório, com áreas privativas entre 17 m² e 43 m². As instalações contam com inovações tecnológicas, como automação, aplicativos de serviços, energia solar e mobilidade compartilhada com bicicletas e patinetes elétricos.

A versatilidade e a localização estratégica atraíram o arquiteto Marcos Antônio Vasques, um dos moradores que vivenciam na prática a proposta do CEO. Natural de Jaboticabal (SP), ele decidiu investir em um estúdio de 28 m² no local para facilitar a rotina intensa de trabalho. O ambiente compacto foi totalmente personalizado com detalhes para garantir conforto. O que era para ser apenas um ponto de apoio acabou transformando sua rotina. "Sempre quis ter uma moradia em Ribeirão Preto, pois gosto muito da cidade. Surgiu a oportunidade e atende super bem. O projeto é muito bacana e oferece várias coisas além do estúdio. Tem lavanderia, um lugar para almoçar se não quiser cozinhar em casa. Há uma comunidade e oferecem até limpeza", conta o arquiteto.

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