Baleia jubarte juvenil é flagrada na Baía de Guanabara
Baleia jubarte juvenil é flagrada na Baía de Guanabara

Uma baleia jubarte juvenil foi flagrada nesta segunda-feira (29) na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a aproximadamente 300 metros do vão central da Ponte Rio-Niterói. O registro foi feito pelo repórter cinematográfico Charles Jr., do Globocop, por volta das 13h. O animal, que já vinha sendo observado nos últimos dias, chamou a atenção de especialistas pela permanência prolongada na região.

Avistamentos recentes de baleias e golfinhos

Nos últimos dias, além da baleia, golfinhos também foram avistados em diferentes pontos da Baía de Guanabara, gerando registros que se espalharam rapidamente pelas redes sociais. Segundo o professor José Lailson, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), esses avistamentos estão relacionados à temporada de migração das baleias no Hemisfério Sul. "A gente agora tá no inverno, e essa época do ano é exatamente a época da migração das grandes baleias aqui no hemisfério sul. Parte dessas baleias fazem uma migração lá de zonas subpolares e polares - zonas próximas à Antártica, ou a própria Antártica - e vem para a costa brasileira para reprodução", explicou Lailson.

Durante esse deslocamento, diversas espécies passam pela costa do Rio de Janeiro, sendo a mais comum a baleia-jubarte, mas também podem ser observadas baleias-francas e baleias-de-minke. Os golfinhos também utilizam a região costeira do estado, especialmente em busca de alimento. Grupos de golfinhos-nariz-de-garrafa foram vistos dentro e fora da Baía de Guanabara, próximo à Ponte Rio-Niterói. "Ele fica sempre nessa zona anterior à Ponte Rio Niterói, então, é comum que ele seja avistado em Niterói, Botafogo, Flamengo. São golfinhos bem grandões, eles passam de 200 kg, podem chegar a 2,80 m, ou até um pouquinho mais que isso. E entram na Baía de Guanabara, basicamente, à procura de alimento. De pequenos peixes", acrescentou o pesquisador.

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Permanência incomum de jubarte na Baía

O caso que mais chamou a atenção dos especialistas foi o de uma baleia-jubarte juvenil que permanece há dias circulando pela Baía de Guanabara. De acordo com Lailson, embora existam registros históricos de baleias na região, a permanência prolongada do animal é incomum. Durante o período colonial, a entrada desses mamíferos marinhos era frequente, mas os registros se tornaram raros ao longo do século XX. A espécie mais associada historicamente à Baía era a baleia-franca. Desta vez, porém, trata-se de uma jubarte jovem, que tem sido observada principalmente na região próxima à sua entrada. "A única coisa diferente mesmo é essa baleia ter entrado na Baía de Guanabara e estar ficando dentro da Baía de Guanabara", afirmou Lailson.

Segundo o pesquisador, o animal aparenta estar saudável e ativo, apesar dos riscos que a permanência na área pode representar devido ao intenso tráfego de embarcações. "Então ela está rodando aqui dentro, é um fato inusitado permanecer tanto tempo, acaba também sendo um pouco de risco. Aumentando um pouco de risco com interação com embarcações, colisão com embarcações, coisas do tipo. A gente fez um acompanhamento, mas ela tá bem arredia e nadando com muita força. Não parece ser um animal debilitado", completou.

Sem indícios de mudança na rota migratória

Apesar da repercussão causada pelos avistamentos, o professor afirma que não há evidências de alterações nas rotas migratórias dos mamíferos marinhos que passam pelo litoral do estado. Segundo ele, a população de baleias-jubarte que chega ao Brasil se alimenta em regiões subantárticas, próximas às ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, antes de migrar para águas mais quentes para reprodução. "Então assim, não tem nenhuma anomalia, nenhuma diferença no trajeto desses animais", garantiu.

O especialista acrescenta que, por ser um exemplar juvenil, a baleia observada na Baía de Guanabara pode eventualmente tentar se alimentar durante a viagem, comportamento menos comum entre os adultos. Mesmo assim, a avaliação dos pesquisadores é de que o animal apresenta comportamento compatível com seu ciclo migratório e não demonstra sinais aparentes de debilidade.

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