O Teatro Municipal de Ouro Preto, localizado na Região Central de Minas Gerais, foi oficialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e agora integra o seleto grupo de Patrimônio Cultural Brasileiro. A decisão foi tomada durante a 113ª reunião do Conselho Consultivo do Iphan, na tarde desta terça-feira (9). Os conselheiros aprovaram por unanimidade a inscrição do teatro nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes, reconhecendo seus valores históricos, arquitetônicos, artísticos e simbólicos.
Importância histórica e arquitetônica
Com quase dois séculos e meio de existência, o espaço, que originalmente era a antiga Casa de Ópera de Vila Rica, é o mais antigo teatro em atividade contínua na América Latina. Sua fachada austera, com empena triangular, preserva traços do estilo neoclássico, que se diferenciam da ornamentação exuberante das igrejas mineiras. No topo, uma lira esculpida simboliza a estrutura erguida para ser a Casa da Ópera.
Reconhecimento e impacto
Inaugurado em 1770, o teatro está situado no Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto, tombado pelo Iphan desde 1938. O diretor do Teatro Municipal de Ouro Preto, Roberto Sussuca, destacou a importância do título: "Esse título vai abrir uma porta para que a gente possa buscar recursos públicos de uma maneira diferenciada para a preservação não só do espaço físico, mas da memória e da importância desse teatro dentro do contexto nacional."
Pioneirismo e inclusão
A historiadora e pesquisadora Rosana Orsini enfatizou que proteger o teatro significa preservar um passado de pioneirismo. Foi nesse palco que, na antiga Vila Rica, as cortinas se abriram pela primeira vez para que mulheres subissem ao palco, em uma época em que homens também interpretavam papéis femininos. "Era um lugar que tinha todo mundo junto, todo mundo num espaço pequeno e talvez o único lugar da colônia, onde todo mundo realmente podia conviver, guardadas as devidas distâncias, mas dentro de um mesmo espaço", explicou.
Celebração da comunidade
A escritora, dramaturga e professora da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) Guiomar de Grammont, que já teve textos interpretados no palco do Teatro Municipal, também celebrou o reconhecimento. "Essa Casa da Ópera precisa continuar sendo a nossa casa, e esse título é como se fosse a celebração disso. Apontar que ela é a nossa casa é uma lira preciosa, que vai continuar sendo tocada ao longo do tempo. Aqui vão continuar sendo encenadas peças, talvez com tanta vitalidade como no século 19, em que houve aqui, em 1811, por exemplo, 45 apresentações num único ano."



