Noruega: paradoxo verde de um petroestado que lidera descarbonização
Noruega: paradoxo verde de um petroestado que lidera descarbonização

A Noruega, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, vive uma experiência paradoxal: investe pesadamente na transição para a economia verde enquanto extrai mais óleo per capita que russos, americanos e sauditas. Com 5,5 milhões de habitantes, o país adota tecnologias sustentáveis em ritmo acelerado, com veículos elétricos representando quase 90% das vendas de modelos novos e uma rede elétrica 95% baseada em energias limpas.

A descoberta de petróleo no Mar do Norte em 1969 transformou a economia norueguesa. De renda per capita 30% menor que a dos EUA, hoje supera a média americana em 4%. Os lucros alimentaram o maior fundo soberano do mundo, com 1,5 trilhão de dólares em ativos, que pressiona empresas a adotar metas sustentáveis e investe no Fundo Amazônia brasileiro.

O governo norueguês usa o argumento de que o dinheiro do petróleo financia a transição energética. Em novembro, a Yara International inaugurou a maior usina de hidrogênio verde da Europa, e uma fábrica de cimento será a primeira do mundo a capturar carbono durante operações, com 200 milhões de dólares em recursos públicos. Oslo será a primeira cidade a exigir que canteiros de obras não emitam CO2 a partir de 2025.

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No entanto, as sanções à Rússia elevaram a receita da indústria petrolífera norueguesa em mais de 350% entre 2021 e 2022, para 127 bilhões de dólares, levando a um recorde de licenças de exploração. O primeiro-ministro Jonas Gahr Støre defende uma transição gradual: “A era dos renováveis não vai ser inaugurada do dia para a noite”.

Analistas apontam que substituir uma indústria equivalente a 20% do PIB será doloroso, mas veem oportunidades. “A Noruega é o maior produtor de energia hidrelétrica da Europa e tem bom potencial para eólica”, diz Steffen Kallbekken, conselheiro do Comitê de Mudanças Climáticas. O país busca equilibrar o legado fóssil com a liderança climática.

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