Moradores denunciam morte de garças na praça Batista Campos, em Belém
Morte de garças na praça Batista Campos preocupa em Belém

Moradores e trabalhadores da praça Batista Campos, um dos principais cartões-postais de Belém, denunciam a morte constante de garças. Além disso, apontam um possível aumento descontrolado da população das aves, o que resulta no acúmulo de fezes e mau cheiro em diversas áreas do espaço público. Quem passa diariamente pelo local afirma já ter presenciado aves caindo mortas durante caminhadas. Em apenas uma manhã, a equipe de reportagem da TV Liberal localizou uma ave com aspecto adoecido e outra já sem vida, cercada por urubus.

Dificuldade no resgate

A dificuldade em conseguir socorro para os animais também é um ponto de crítica. A jornalista Calina Bulhões relata que, ao tentar ajudar uma garça ferida no último sábado (30), foi orientada pelo Batalhão de Polícia Ambiental a procurar a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) apenas na segunda-feira (1º). Sem o resgate imediato, o animal morreu.

Impacto no comércio e lazer

A situação afeta diretamente a economia local. O vendedor de água de coco, Paulo Figueiredo, conta que as vendas caíram drasticamente. Segundo ele, o forte odor e o risco de ser atingido pelas fezes afastam os clientes. "As pessoas que fazem cooper (caminhada) nem passam mais deste lado da rua por causa da sujeira", lamenta o vendedor. Frequentadores disseram que precisam correr em certos trechos para evitar "acidentes" com as necessidades das aves. Apesar da presença de equipes de limpeza urbana, a ação é considerada insuficiente, já que bancos e brinquedos infantis permanecem constantemente sujos.

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A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Semma), informou que os animais sob responsabilidade da gestão municipal são os de cativeiro e não os de vida livre, como as garças.

Causas ambientais

De acordo com biólogos locais, as garças buscam a praça por ser um dos poucos espaços na cidade que ainda preservam árvores de grande porte, ideais para a construção de ninhos. O biólogo Basílio Guerreiro alerta para a necessidade urgente de uma investigação técnica. "Se muitos animais morrem no mesmo período, é preciso realizar exames de necropsia para identificar se a causa é uma doença viral, bacteriana ou lesão física", explica.

A comunidade afirma que busca soluções junto ao poder público há mais de um mês. Segundo a médica Andreia Lobato, que frequenta a praça, contatos foram feitos com o Centro de Zoonoses e com a Adepará, mas até o momento não houve resposta efetiva ou plano de ação para cuidar das aves, que são consideradas símbolos culturais da capital paraense.

Sobre o caso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) comunicou que, até o momento, não existem estudos ou ações de manejo em andamento pela superintendência do órgão no Pará voltados especificamente à população de garças do local. O instituto ressaltou que qualquer intervenção exige um diagnóstico técnico prévio, elaborado por profissionais habilitados, que deve ser apresentado pelo município ao órgão ambiental competente. O g1 solicitou mais informações e posicionamento à Adepará acerca das denúncias, mas não obteve respostas até a publicação desta reportagem.

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